Nas brumas do tempo se perdeu a data de quando o ser humano começou a perfazer todo um caminho processual para condenar uma pessoa exigindo-se a presença de um defensor, para assim, evitar inúmeras arbitrariedades. Mesmo nos estados em regime de exceção, os acusados têm direito, e só são condenados após um processo. Jesus Cristo, o inocente, também teve direito a um processo maquiado, urdido nos corações soberbos de alguns homens e, teve também aqueles que procuraram defendê-lo.
Poderíamos dizer que é o próprio direito natural que percebe ser direito de todos, mesmo dos piores dentre os seres humanos, a um julgamento bem conduzido pelo senso de justiça, eqüidade e até mesmo, de uma certa carga de misericórdia.
Não conheço nação moderna negadora desse direito a seus cidadãos. Mas essa prática vem conhecendo grave exceção quando os estados põem-se a favorecer e a legalizar o aborto.
O ser humano, que se encontra no útero materno, não cometeu nenhum crime para ser condenado a qualquer pena, muito menos à pena capital. E, se é verdade que compete à lei amparar os injustiçados, os inocentes, eis o caso de um verdadeiro inocente que precisa de amparo do Estado: o nascituro. O que aquele ser humano tão frágil está a pedir é a defesa do mais fundamental direito: o de viver. Na sua fragilidade, ele pede clemência para prosseguir por mais alguns dias, ou semanas, a sua gloriosa aventura de viver para, um dia, contemplar a luz do dia e a face de seus irmãos por natureza.
Se o pretenso direito de matar o inocente começa a se estabelecer em nossa sociedade, qual será o nosso futuro? Chegará, infelizmente, o dia em que será “crime” viver sem poder contribuir financeiramente para manter a máquina pesada do Estado. Este, patrocinará a lata do lixo para receber os idosos, os aposentados e doentes terminais. Promoverá também plebiscitos para receber de seus cidadãos o aval para as leis iníquas e continuar perpetrando, sob a proteção de uma falsa justiça os seus mais horrendos crimes. Terá um argumento que atrairá a maioria: diminuir os custos sociais de uma máquina pesada e corrupta. E, numa sociedade negadora das virtudes e defensora de egoísmos individuais, certamente serão aprovados os mais nefandos crimes.
Dom Paulo Francisco Machado
Bispo auxiliar da arquidiocese de Juiz de Fora (MG)
Bispo auxiliar da arquidiocese de Juiz de Fora (MG)
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