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domingo, 17 de julho de 2011

Razões para viver a castidade

1. Você nunca terá que se preocupar com uma gravidez nem com a vergonha de ter que dizer aos seus pais. Comunicar uma gravidez é uma alegria, mas quando se está casado.
2. Você nunca terá que se preocupar em contrair, por via sexual, a AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis, algumas incuráveis.
3. Você aprenderá a exercer o autocontrole que aumentará a sua força de vontade, e você se sentirá bem consigo mesmo quando você não cede às pressões que lhe cercam.
4. Você dará bom exemplo. Assim você estará contribuindo para construir um mundo melhor.
5. Você estará protegendo sua própria reputação. Para conquistar um bom esposo ou esposa você necessita ter uma boa fama.
6. Você saberá com segurança se é um amor verdadeiro ou se só querem o prazer que seu corpo pode proporcionar.
7. Você poderá canalizar suas energias juvenis para atividades que contribuam para o seu desenvolvimento e amadurecimento, tais como: os estudos, o esporte, a música, a leitura, a pintura, o serviço aos necessitados, os grupos jovens, as gincanas, o grêmio de sua escola, associação em clubes comunitários, etc.
8. Você aprenderá a conhecer o verdadeiro amor. Saberá distinguir entre o amor verdadeiro e o impulso ou atração sexual. O ato sexual é algo espontâneo e breve (um encontro de uma noite). O amor necessita tempo para crescer e durar para sempre, que é o que todos queremos. O verdadeiro amor nunca é desesperado, é sim aquele que sabe esperar.

Como dizer não?

Apesar de alguns quererem nos fazer crer o contrário, muitos adolescentes inteligentes têm decidido não ter relações sexuais antes do casamento (pré-matrimoniais). Não é fácil, mas é assim que acontece com as coisas que valem a pena na vida. Se você quer triunfar na vida, nos seus estudos, no trabalho, no esporte, no domínio de um instrumento musical, deve esforçar-se.

DIZER NÃO ÀS RELAÇÕES SEXUAIS PRÉ-MATRIMONIAIS VALE A PENA.

Você poderia dizer:
- “Não estou preparado(a) para ter relações sexuais”.
- “Não quero ter relações sexuais até que me case. Prefiro esperar”.
- “Desfruto de sua companhia mas não creio que tenho idade suficiente para ter relações sexuais”.
- “Não tenho porque dar-lhe explicações de não querer ter relações sexuais. Simplesmente é esta a minha decisão, nada mais”
- “Decidi não ter relações sexuais, sendo assim, por favor não me pressione”.
- “Se você realmente me quer, respeite minha decisão de esperar”.

"Quero viver a vontade de Deus em minha vida"

Sou uma jovem responsável

Meus beijos valem mais que uma festa ou um cinema.
Meu corpo é templo de Deus, não um brinquedo.
O primeiro “Não” poderá ser difícil, depois será mais fácil.
A virgindade continua sendo uma virtude, a luxúria continua sendo um pecado capital.
Minha maneira de vestir, agir e falar podem ser uma tentação para meu namorado. Observarei a modéstia pelo bem de nós dois.
Meus pais têm feito muito por mim, comportar-me-ei de modo que sempre eles se sintam orgulhosos de mim.
Meu namorado será, também, algum dia um esposo e pai de família; deverá ser um herói aos olhos de sua esposa e filhos. Não farei nada que possa impedi-lo disso quando sairmos juntos.
Quero ser esposa e mãe algum dia, conservarei minha pureza e meu carinho para meu esposo e filhos.
Se algum dia eu falhar e vier a engravidar, não tomarei o caminho fácil, não abortarei o meu filho.

Sou um jovem responsável

Os pais de minha namorada confiam em mim, não quero decepcioná-los.
Respeitarei minha namorada como espero que outros homens respeitem minha irmã.
Respeitarei sua feminilidade porque minha mãe é mulher.
Não pedirei a minha namorada que faça algo de que possa me envergonhar se minha mãe vier a saber.
Minha namorada tem me dado a honra e o prazer de sua companhia; não é correto que eu espere mais que isso.
Minha namorada será esposa e mãe algum dia. Ela deverá ser um exemplo para seus filhos e o orgulho de seu esposo. Eu a ajudarei ser tão pura e decente como eu quero que minha esposa seja.
A ombridade é constituída tanto pelo caráter como pelo físico. Perder o controle de si mesmo é sinal de fraqueza, quero que ela saiba que sou um homem.
Deus está em todas as partes, Ele tudo sabe, tudo vê. As coisas que faço escondido, poderão ser escondidas das pessoas, mas nunca aos olhos de Deus.
Se por minha fraqueza eu engravidar alguma jovem, não vou pressioná-la a fazer um aborto.

Lembre-se

Não dê bolas às pressões dos filmes, novelas, música, amigos e amigas que lhe induzem a relações sexuais antes do casamento. Não se engane. Sua vida é muito preciosa para você, para os que lhe querem bem e para seu país. Não deixe ninguém lhe enganar para que você não engravide sem estar casada, e nem aborte, e não contraia doenças sexualmente transmissíveis e AIDS. Em toda relação sexual existe a possibilidade de uma gravidez. Esta responsabilidade não é para você agora. Este tempo é para seu amadurecimento, para você terminar seus estudos.

Não caia em armadilhas que comprometam seu futuro. Para que você escolha o que quer da vida, você necessita ser LIVRE.

Comunidade Católica Shalom

O sofrimento das pessoas não amadas

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Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina

      A pessoa não amada sofre muito. O sentimento de rejeição é um sentimento destrutivo e diabólico. Não é possível viver sem amor. Paga-se um preço muito alto com carências, desequilíbrios, ciúmes, invejas, compensações, doenças e todo tipo de protesto. Vamos refletir sobre alguns sofrimentos de quem não se sente amado.

1. A pessoa não amada, é agressiva. Sabemos que a pessoa agressiva quer chamar atenção, buscando ser valorizada, elogiada, reconhecida como pessoa. Agressividade é um jeito infeliz de querer ser amado. São muitas as formas de agressão, desde o grito ou o silêncio amarrado, a indiferença até ao desprezo da vida através de drogas, álcool, doenças de todo tipo.
Como é importante amar e ser amado. Deus nos amou primeiro, nos ama sem medidas e nada afasta seu amor por nós. Ele tem ciúmes de nós. Carrega nossos fardos. Confia em nós mesmo quando erramos. Deus não se cansa de amar. Quem descobre o amor de Deus vai saltar de alegria e mudar de vida.
2. A pessoa não amada é possessiva. Quer apossar-se de pessoas e coisas. É escrava dos apegos, ciúmes e dependências. Passa por muita decepção. Tem a mania de dominação e manipulação dos outros. Sofre a fome de atenção, de amizade, de comunicação. Vive numa prisão afetiva e num ateísmo afetivo porque não acredita e não aceita que é amável. Sente-se culpada por não saber amar.
Podemos vencer a possessividade com a auto-estima, a descoberta do nosso lado de luz, dos nossos dons. Existimos porque somos amados, ou seja, porque Deus nos quis, nos desejou: “Eu sou um desejo eterno de Deus que hoje existe”. Minha existência é uma “existência amada” por Deus” (Sta. Catarina de Sena). Estamos envolvidos no amor de Deus. É preciso descobrí-lo e sintonizá-lo. Aceitar que somos aceitos, crer que somos amados, é o caminho da libertação.
3. A pessoa não amada é depressiva. Curte o vazio, o peso da vida sem sentido. Facilmente cai no negativismo, na tristeza, ansiedade e angústia. Focaliza o lado negativo. Eis o desgosto, o desinteresse, a apatia, a baixa-estima. Vêm os stress, o cansaço e depreciação.
Estas pessoas se recuperam com nossa compaixão, paciência e compreensão. Precisam de nossa amizade. Quando descobrem que Deus sofre com elas para tirá-las do sofrimento, saem de si e encontram o gosto e alegria de viver. Pequenos gestos para elas têm alto preço e aceitação
4. A pessoa não amada é insegura. Por não se auto-valorizar, é vitima do medo, das criticas, dos julgamentos. A insegurança bloqueia toda criatividade e leva à timidez. Para elas é difícil pegar o ônibus, ir numa festa, assumir alguma responsabilidade. Atrofiam suas potencialidades. São indecisas, “morrem na sala de espera”. Os outros são endeusados, invejados, enaltecidos demais. Tudo isso contribui para que a “dor existencial” seja ainda mais cruel.
Três amores salvam estas pessoas: o amor de si através das qualidades e vitórias, a amizade sincera e a descoberta que Deus as quer bem: “Eu te amo como tu és”, eis o que elas devem ouvir. Só os amados, mudam. A aceitação de si é um ato de humildade e de verdade. Deus é força dos fracos. É oleiro que refaz o vaso. É o amante que nunca vai embora.
5. A pessoa não amada é desconfiada. Sem confiança é difícil a comunicação. A desconfiança bloqueia a fé em si, nos outros e em Deus. Tudo é perigo, ameaça, perseguição, azar, fatalidade. Os outros são vistos como exploradores, indignos, maliciosos, interesseiros. A desconfiança obriga ao afastamento, à solidão, ao isolamento. A pessoa desconfiada vive sempre armada.
Estas pessoas serão ajudadas pela gratidão e atitude de louvor por tanto bem, vitórias e sucessos que experimentaram, graças à ajuda dos outros. O outro é irmão, sem o qual não posso existir. Tudo na vida é interação, interdependência. Amar é crer nos outros.
6. A pessoa não amada é doentia. Doença aqui é compensação, necessidade de afeto, procura de carinho. Um toque, um abraço, uma saudação, um elogio fazem milagres na vida destas pessoas. Confiar-lhes responsabilidades é um bom remédio, como também todo acolhimento, atenção, apreciação. Sentem-se amadas pelos pequenos gestos de simpatia, gratidão, reconhecimento. Nada melhor para elas que amizade verdadeira. Eis a terapia: o amor constrói, cura, recria e tudo sofre, tudo crê, tudo espera.


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por
Arquidiocese de Londrina/PR

Humildade

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Entre todas as virtudes, a humildade, sobretudo, chegou ao apogeu em Santa Teresa do Menino Jesus. Foi para ser a mais humilde e pequena que seguiu a “via da infância espiritual”, ou foi esta via, seguida fielmente que a tornou humilde e simples como uma criancinha.
Irmã Teresa do Menino Jesus via com alegria que, apesar de nove anos de vida religiosa, ficara sempre no Noviciado, não fazendo parte do Capítulo conventual e sendo considerada uma “criança”.

“Senhor, sofrer e ser desprezado”.
Quando passou pela provação tão humilhante da doença de nosso venerado pai, mostrou que seus desejos de desprezo não eram letra morta.
Quantas vezes, desde sua adolescência, não repetira com entusiasmo esta palavra de S. João da Cruz: “Senhor, sofrer e ser desprezado por vós!” Era o tema de nossas aspirações, quando, às janelas do Belveder, nos entretínhamos juntas sobre a vida eterna.
Gostar de ser mandada e censurada.

“É preciso, sobretudo, dizia-me, ser humilde de coração. Não o sereis enquanto não quiserdes sujeitar-vos a todo mundo. Se as cousas correm bem, estais de bom humor, mas assim que não concordam com vosso modo de pensar, vosso rosto reflete tristeza. Isto não é virtude. A virtude “é submeter-se humildemente a todos”, é alegra-se por censurada. No começo de vossos esforços, a contrariedade aparecerá no exterior e as criaturas vos julgarão, por isso, imperfeita. Mas tanto melhor! Praticareis assim a humildade que consiste não em pensar e dizer que estais cheia de defeitos, mas em ficardes contente de que os outros o pensem e mesmo o digam.

“Deveríamos nos alegrar muito, quando o próximo nos deprecia algumas vezes, pois se ninguém tivesse este ofício, o que sereia de nós? É o nosso lucrozinho...”
Durante uma festa de comunidade em que houve uma “representação piedosa” de sua autoria, a peça foi criticada e interrompida pela sua extensão. Surpreendi-a atras dos bastidores, enxugando furtivamente algumas lágrimas, .depois, senhora de si, ficou calma e suave sob a humilhação.

Era com alegria celeste que aceitava toda repreensão não somente dos superiores, mas dos inferiores. Assim deixava que as noviças lhe dissessem cousas desagradáveis, sem nunca as repreender, no momento. “Quero aceitar as observações quando são justas, dizia-lhe eu. Desde que errei, aceito-as, mais não posso suportar as repreensões se não tenho culpa.

- Quanto a mim, replico, bem ao contrário, prefiro ser acusada injustamente porque então não tenho nada que me reprovar. Ofereço isso a Nosso Senhor com alegria, em seguida, humilho-me pensando que seria bem capaz de cometer a falta de que me acusam”. “Parece-me, confessava ela simplesmente, que a humildade é a verdade. Eu não sei se sou humilde, mas sei que vejo a verdade em toda as coisas”.

Costumava classificar-se entre os fracos, donde originou a denominação de “pequena almas”. Nas instruções particulares que dava a cada uma de suas noviças, falava sempre sobre a humildade. O essencial em sua formação era ensinar-nos a não nos afligirmos diante de nossa própria fraqueza, mas antes, a gloriarmo-nos em nossas enfermidades!.... “É tão doce sentir-se fraca e pequena!” – dizia.

Numa circunstância em que Irmã Teresa do Menino Jesus apontara todos os meus defeitos, fiquei triste e um pouco desorientada. “Eu que desejo tanto possuir a virtude, pensava, eis-me longe, quereria tanto ser mansa, paciente, humilde, caridosa; ah! nunca chegarei a isso!... ”

Entretanto à tarde, na oração, li que exprimindo Santa Gertrudes este mesmo desejo, Nosso Senhor lhe respondera: “Em todas as cousas e acima de tudo; tem boa vontade; esta única disposição dará a tua alma o brilho e o mérito especial de todos as virtudes. Quem tem boa vontade, desejo sincero de procurar minha glória, de me dar graças, de compadecer de meus sofrimentos, de amar-me e de servir-me tanto quanto todas as criaturas juntas, este receberá indubitavelmente recompensas dignas de minha liberalidade e seu desejo ser-lhe-á, algumas vezes, mais proveitoso do que, para outros, as boas obras” .

Muito contente com essa boa palavra, a meu favor, participei a minha querida Mestrazinha que triunfante acrescentou: “Leste o que se conta na vida do Padre Surin? Ele fazia um exorcismo e os demônios disseram-lhe: “Não conseguimos nada; é só a este cão da boa vontade que não podemos nunca resistir”. Pois bem! se não tende virtudes, tendes um “cãozinho” que vos salvará de todos os perigos; consolai-vos, ele vos conduzirá ao paraíso! Ah! qual é a alma que não deseja possuir virtudes! Ë a via comum! Mas como são pouco numerosas as que aceitam cair, serem fracas, as que estão contentes ao se verem por terra e aí serem surpreendidas pelos outros!”.

Um dia em que eu estava desanimada e atribuía esse estado de depressão à minha fadiga, disse-me: “Quando não praticais a virtudes não deveis pensar que seja devido a uma causa natural como a doença, o tempo, ou o aborrecimento. Antes, tirai disso um grande motivo de humilhação e colocar-vos entre as pequenas almas, pois que só podeis praticar a virtude de maneira tão fraca. O necessário, agora, não é praticar virtudes heróicas, mas, adquirir a humildade. Para isso é preciso que vossas vitórias sejam sempre acompanhadas de algumas derrotas, afim de que não haja complacência de vossa parte. Ao contrário, essa lembrança vos humilhará mostrando-vos que não sois uma grande alma. Há almas que nunca têm na terra a alegria de se verem apreciadas pelas criaturas, o que as impede de crer que possuem a virtude que admitam nos outros”.

Um “pequeno meio”...
Ultimamente, confiou-me, fui imperfeita com uma Irmã; creio que ela não percebeu a luta interior, entretanto alimentei o pensamento de que me julgará sem virtude e fiquei bem contente de crer-me assim.

Uma outra vez, em semelhante ocasião, dizia-me: “Enche-me de alegria o ter sido imperfeita; hoje Nosso Senhor fez-me grandes graças, foi um ótimo dia...” . Perguntei-lhe então como podia experimentar esses sentimentos. “Meu pequeno meio, respondeu-me, é estar sempre alegre, sorrir sempre, tanto na queda como na vitória”.

Esta alma tão forte desconfiava tanto de si mesma que se julgava capaz dos maiores pecados. Escrevera sob uma estampa de Jesus Crucificado estas palavras que traduzem as disposições habituais de sua alma: “Senhor, bem sabeis que vos amo, mas tende piedade de mim que sou pecador”.

Citava-me um pequeno fato em que havia tocado com o dedo a frivolidade humana à qual ninguém pode subtrair-se. A noite de Natal de 1887 em que esperava entrar no Carmelo, foi para ela uma extraordinária provação; depois de todas as suas diligências, vendo-as ainda no mundo, sua alma estava na agonia.

“Pois bem! confessou-me mais tarde, imaginai que, apesar deste oceano de amargura em que estava mergulhada, fiquei entretanto contente de estrear meu lindo chapéu azul ornado com uma pomba branca! Como são estranhas estas manifestações da natureza!”...
A verdadeira alegria.

Eu considerava que as cousas que nos satisfazem – um pensamento alegre, mesmo piedoso – acabam cansando o coração que delas se apega, e que torna tristeza toda alegria muito prolongada. Ela respondeu-me:

“Só em Deus há repouso. A verdadeira alegria que jamais cansa é a que vem do desprezo se si mesma. Assim, a respeito de vossa fraqueza de ontem à noite... (chorara porque custava ir visitar as doenças depois de Matinas, estando muito cansada, e uma Irmã o percebera): se a Irmã que vos surpreendeu julgar-vos sem virtude e se vós concordardes com tal juízo de todo coração, eis a verdadeira alegria!

- Oh! tendes razão, compreendo tão bem o que devo fazer! Vejo-o claramente e não posso agir; não! nunca chegarei a ser boa!
- Sim, sim, chegarei; Nosso Senhor vos fará chegar.
- Bem! mas nunca as criaturas notarão isso, ao passo que eu cair sempre, sempre me acharão imperfeita. É a vós, todas reconhecem virtuosa.
- É porque nunca o desejei! Que vos achem sempre imperfeita é o que vos convém! Lucrareis com isso. Crer-se imperfeita e achar os perfeitos, eis a felicidade. Que vos reconheçam sem virtude, isso em nada vos prejudica, sem vos torna mais pobre! Os outros é que perdem a alegria interior, pois não há nada mais doce que pensar bem de nosso próximo. Tanto pior para quem vos julgar desfavoravelmente e tanto melhor para vós se vos humilhardes por amor de Deus”.
Eu lhe confessava: “Estou numa disposição de espírito em que me parece que não penso mais.
- Isso não tem importância, respondeu-me, Nosso Senhor conhece vossas intenções. E, empregando a propósito, para fazer-me sorrir, um pequeno ditado especial bem conhecido de nós duas, acrescentou: “Quanto mais humilde, mais feliz”.
- Oh! quando penso, disse-lhe, em tudo o que tenho para adquirir.
- Dizei antes, para perder!... Jesus é que encherá vossa alma de esplendores na medida em que a desembaraçardes de suas imperfeições.

“Nunca chegarei a praticar a virtude, dizia-me muitas vezes; quereis subir uma montanha e Deus quer fazer-vos descer ao fundo de um vale fértil, onde aprendereis o desprezo de vós mesma!”
Eu sonhava dar sempre o bom exemplo às noviças, queria que me tomassem por modelo, por isso quando tinha a infelicidade de cair, cria tudo perdido:

“Isso, disse-me ela, é procura de si mesma, um falso zelo e uma ilusão. Conta-se que um bispo, desejando conhecer um santo que gozava de uma alta reputação, foi visitá-lo acompanhado pelos grandes de seu séquito. O santo, de longe, vendo aproximar-se o prelado com sua corte, teve um movimento de vaidade, e quis dominar-se. Percebendo crianças que brincavam de balanço numa árvore, prontamente mandou descer uma delas e pôs-se em seu lugar. O bispo tomou-o por insensato e voltou, sem outro exame”.

“Assim, a alma muitas vezes não é bastante forte para receber elogios. Deve então sacrificar, de quando, algum bem aparente, à sua própria santificação. É preciso alegrar-se de cair; se caindo não houvesse ofensa a Deus, dever-se-ia fazê-lo de propósito, a fim de se humilhar”.
Como a Santíssima Virgem.

Ela era indiferente ao que pensava a seu respeito, ainda que se escandalizassem com certas aparências. Assim, no começo de sua doença, estando obrigado a ir tomar remédios alguns minutos antes das refeições, uma Irmã antiga admirou-se, queixando-se de ser ela irregular. Bastava Irmã Teresa do Menino Jesus dizer uma palavra para escusar-se e restituir a calma a esta Irmã. Evitou de fazê-lo, tomando como exemplo a conduta da Santíssima Virgem que preferiu deixar-se difamar a desculpar-se junto de São José. Falava-me muitas vezes dessa conduta tão simples e tão heróica.

Como Maria, seu grande meio era o silêncio. Gostava de “guardar todas as cousas em seu coração”, alegrias e penas; esta reserva foi sua força, o ponto de partida de sua perfeição, como também seu cunho exterior, pois era de uma ponderação admirável.

POBREZA ESPIRITUAL
Como lembrança de minha profissão, a querida Irmãzinha, pintou as armas que eu tinha composto com esta divisa: “Quem perde, ganha”. Explicou-me que, sobre a terra, é preciso tudo perder, deixar que nos tomem tudo para chegar a pobreza de espírito.

Desejava para os outros, mais que para si, as graças interiores. Tendo encontrado um livro que lhe fazia muito bem, eu a vi passá-lo às Irmãs sem termina-lo. E jamais pude acabar sua leitura.
Se Deus lhe dava luzes, no-las comunicava tanto quanto podia... Mas teve por vezes dessas luzes vivas e penetrantes que vislumbradas, passaram sem deixar lembrança alguma: “Queria captá-las novamente, disse-me ela, mas impossível! Então em vez de cansar-me procurando o que havia produzido essa alegria em minha alma, contentava-me de gozar do bálsamo que deixara, sem saber como tinha vindo e ficava contente com essa pobreza...”

Como as criancinhas que não têm nada de seu e dependem absolutamente de seus pais, ela queria que vivêssemos dia por dia, sem fazer provisões espirituais.
“Se Nosso Senhor quiser belos pensamentos e sentimentos sublimes, Ele tem seus anjos... Poderia mesmo criar almas tão perfeitas que não tivessem nenhuma das fraquezas de nossa natureza. Mas não! Ele põe suas delícias em pobres criaturinhas fracas e miseráveis... Sem dúvida, isso lhe agrada mais!”

Não se apoiar em nada
Irmã Teresa recordava as palavras e passagens dos Livros Santos para nutrir sua piedade.
Eu lhe disse: “É o que eu desejaria, mas não tenho memória suficiente!”
- “Ah! eis que desejais possuir riquezas, ter posses! Apoiar-se nisso é apoiar-se sobre um ferro em brasa! Deixa um pequeno sinal! É preciso não se apoiar em nada, nem mesmo naquilo que pode ajudar a piedade. O nada é a verdade, é não ter desejo, nem esperança de alegria. Como se é feliz então! Onde achar alguém perfeitamente isento da vergonhosa procura de si mesmo, diz a Imitação, é preciso procurá-lo bem longe e até as extremidades da terra. Bem longe, isto é, bem baixo... Bem baixo na própria estima, bem baixo por sua humildade, bem baixo, isto é, alguém bem pequenino...”
Toda gente procura sucessos.
Dizia-me:

“Entregai-vos demasiado ao que fazeis, como se cada cousa fosse vosso fim último e esperais sem cessar ter chegado a ele. Admirai-vos de ter caído; é preciso sempre contar com alguma queda!. O futuro preocupa-vos como se devêsseis organizá-lo. Compreendo então vossa ansiedade; estais o tempo todo a pensar: Ó meu Deus, que vai sair de minhas mãos! Tôda gente procura assim os sucessos, é a via comum; os que não os buscam são unicamente os pobres de espírito”.

Vaidade da estima das criaturas.
Manifestava-lhe o desejo de que as criaturas considerassem meus esforços e notassem meus progressos.
“Agir deste modo, replicou vivamente Irmã Teresa, é imitar a galinha que adverte todos os transeuntes, logo que pôs o ôvo. Assim, desde que agiste bem, ou que vossa intenção foi irrepreensível, quereis que todo mundo o saiba e vos aprove...

“Que vaidade querer ser apreciada por vinte pessoas que vivem convosco, ocupando-se, cada qual em sua pequena esfera, de suas respectivas intenções, saúde, família, progressos espirituais ou interesses pessoais, que deixam escapar palavras mais ou menos acertadas! Mas observando a fisionomia dos santos, penso que eles também estiveram sujeitos a muitas fraquezas, que de seus lábios saíram, por vezes, expressões bem humanas, e até vulgares. Penso, então, que não quero ser amada, estima senão no céu... porque lá somente, tudo será perfeito”.
Ao contrário de minha querida Irmãzinha que só tinha um desejo: que ninguém percebesse seu sacrifícios, eu, sempre seduzida pela vanglória, esforçava-me por atrair a atenção sobre o que eu fazia.
Dizia-me então:

“Quereis pôr-vos em evidência! Há muitos que exercem esse ofício; quanto a mim, envio fazê-lo, recearia não ganhar bastante. Pelo contrário, escondo tanto quanto possível o que faço e coloco tudo no banco de Nosso Senhor, sem me inquietar se rende ou não”.


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por
Escola de Formação Shalom

A vocação da amizade em nossas vidas

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Fico feliz pela oportunidade de poder dedicar essas simples e despretensiosas palavras sobre a amizade, a arte de ter amigos. Sou um defensor da arte de escrever aos amigos ou aos que queremos comunicar algo que edifique e conduza a Deus. Sinto-me livre para manifestar aos que amo os meus sentimentos e a sabedoria simples daquilo que constituem o tesouro da amizade. “Escrever faz parte essencial da amizade. O amor que está em nós quer expressar-se. A carta é expressão duradoura da amizade. Hoje em dia, infelizmente, desaprendemos quase de todo escrever cartas. Mas a amizade precisa da carta, onde conto ao amigo o que me impulsiona para frente. Constantino Raudive disse: ‘As pessoas que nunca trocaram cartas não se conhecem’. As cartas de amizade constituem uma parte importante da literatura universal. Muitos gostam de ler essas cartas para ascultar o mistério da sua própria amizade e deixar inspirar-se por elas (Anselm Grun)”. 

A vida comunitária e os vínculos da caridade fraterna já nos despertam a consciência do fato real de sermos irmãos. Sentimos assim a necessidade de celebrar a vida dos que partilham conosco o viver vocacional, e que participam do grande mistério da comunhão e do amor de Deus. A caridade fraterna já nos faz pertencer um ao outro pela graça do carisma em nossas vidas. Esse estar junto é importante e necessário mais do que nunca, por causa da comunhão uns com os outros para a qual todos fomos criados, vindo a ser também o antídoto da solidão, do egoísmo e do individualismo que impera hoje entre as pessoas. “Na situação do homem moderno, o que é trágico, o que constitui o seu isolamento é a falta de diálogo, de comunicação espiritual com o outro” (Ignace Lepp). O homem está cada vez mais necessitado de viver junto. No entanto, não basta estar junto de qualquer forma, é preciso estar junto com um viver de qualidade. “Quem escolhe a vida consagrada decide viver com outros, seus semelhantes, numa comunidade. Como conseqüência, crescer na vida espiritual implica também crescer no modo de estar com os outros e apurar sempre mais o próprio estilo de comunicação (Giuseppe Colombero).”

A caridade fraterna nos faz comprometidos com o outro e portamos por esses laços uma dívida ao nosso irmão, em acolhê-lo e amá-lo na sua diferença e na sua maneira particular de ser. A caridade de Cristo nos fez um com ele e por isso já não carregamos mais o peso de termos o outro como inimigo. Nosso direito de progenitura não precisa mais ser vendido como fez Esaú com seu irmão Jacó (Cf: Gn 25,29-34), para sermos saciados com qualquer coisa, pois o corpo e o sangue de Cristo nos inseriram na comunhão do amor da Trindade. Cristo é o referencial de todo amor humano e não necessitamos mendigar o amor do mundo baseado unicamente no prazer. Cristo nos redimiu de todo pecado e também redimiu o amor que escravo estava dos prazeres carnais. Nossos irmãos e amigos participam desse amor redimido e dessa novidade da caridade. É a caridade fraterna que nos permite viver o dom da vida comunitária e consagrada. E aí, essa caridade fraterna guiada pela Providência de Deus nos faz perceber também aqueles com quem queremos partilhar mais de perto as nossas dores e alegrias, os nossos segredos, a vida de Deus que vai moldando a nossa. A esses nós chamamos de amigos, amados amigos!

Cristo nos mostrou que é uma necessidade do coração do homem ter amigos. A amizade nos recorda e renova o sentido da vida em Deus e do amor aos homens: amar até o extremo! Dar a vida por eles completamente. “Assim como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei em meu amor... Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,9.13). Paul Hinnebusch completa em seu livro intitulado, O Ministério da Amizade: “Jesus mostrou-se verdadeiramente nosso amigo, dando sua vida por nós na cruz”. Sabemos que Cristo mostrou-se também nosso amigo revelando-nos todos os segredos do seu coração. “Eu vos chamo amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai vos dei a conhecer” (Jo 15,15). Então é-nos dado, da parte de Deus, o dom da amizade, “a vocação à amizade” como escreveram alguns filósofos e como confirma aqueles que a vivem traduzida nas páginas de tantos escritores contemporâneos.

A amizade é um dom de Deus dado a quem ele quer para uma missão na vida dos amigos e na vida dos homens de boa vontade. Diríamos ainda que a amizade é um dom e exerce uma missão particular na vida comunitária. A necessidade da amizade de que nos mostrou Jesus recebe uma particular observação quando se trata da vida comunitária. Ninguém procuraria uma comunidade religiosa se não tivesse certeza de encontrar, entre as suas paredes e na convivência daqueles que dentro delas habitam, pelo menos aquela ternura que poderia se encontrar na família. A vida comunitária comporta uma escolha diária e com muitas renúncias, inclusive no que diz respeito à vida fraterna. Não somos chamados a ser amigos de todos, pois é impossível, mas somos chamados a acolhermos a todos na caridade de Cristo. Como disse nosso tão amado Papa João Paulo II: “Amar em si é uma escola; E a vida comunitária é esse lugar onde melhor se exercita e se aprende a amar”. Giuseppe Colombero diz isso com outras palavras de forma brilhante e profunda: “Não amar e não ser amado é sentir-se ninguém. Sentimos então a mais dolorosa das frustrações: a inutilidade da própria vida. Amor é calor e cor, aquilo que dá um rosto e um sentido às coisas e aos dias, mas é preciso querer esse amor, e querê-lo juntos, um pelo outro, e não apenas dizê-lo ou dissimulá-lo. É preciso viver em comunidade conforme o seu verdadeiro espírito de koinonya”.

Para mim tem sido uma grande novidade a convivência com alguns importantes amigos e, posteriormente, a descoberta da amizade, desse fazer parte do coração do amigo. A amizade nunca se faz da noite para o dia, é preciso disposições concretas para trilhar um caminho de acolhida, conhecimento do outro e de si mesmo, capacidade de sair de si para deixarmos que o outro se aproxime e queira livremente partilhar da sua vida, das suas fraquezas, limitações, das alegrias e dos dons com que o Senhor cumulou cada vida. Penso e sinto que isso vem acontecendo conosco, amigo, quando aos poucos vamos participando da vida um do outro nas coisas mais simples, mesmo que tantas vezes seja difícil conseguir um tempo pra sentarmos e conversarmos. A dinâmica da vida comunitária nos coloca diante de desafios que precisam ser superados. Amar implica decisão e coragem de não se deixar levar por tantos obstáculos. Nem todos estão disponíveis para a construção dos laços de amizade, e muitas são as causas que levam a isso que aqui não me compete descrevê-las.

Mesmo com as impossibilidades e com todos os desafios que comporta o dom da amizade, Deus vai nos dando a graça da escolha gratuita e a criatividade de darmos provas de amor um ao outro simplesmente sendo nós mesmos. Aprende-se muito com o amigo, mesmo que esteja distante ou próximo. A prende-se muitocom o amigo, exatamente se deixando conduzir e temparar a amizade pelo amor a Deus, a discrição, a alegria, na transparência em ser aquilo que de fato é o nosso coração. O amigo que cultiva os relacionamentos e a arte de ter aprendido que dentro da vida comunitária não nos serve escondermos o que constitui o nosso potencial interior, a nossa verdade, aquilo que Deus mesmo realizou nas nossas vidas. Somos um mistério fascinante mesmo que tenhamos de admitir que a limitação e a fragilidade nos marquem. A amizade acontece mesmo quando é preciso tocar naquele mistério de graças como de misérias presentes no coração de cada um de nós. “Característica da amizade é a certeza de encontrar o imutável no mutável” (Giuseppe Colombero). Recordo-me de uma expressão que tomei conhecimento já à alguns anos atrás: “Quero um amigo com o qual eu tenha, na sua presença, a liberdade de sentir-me fraco, ser diante dele aquilo que realmente eu sou” (Padre João Wilkes, CCSh).

Quando nos deparamos com as fragilidades dos nossos irmãos e amigos, costumamos considerar como um desafio, mas nunca ao ponto que nos desestimule. Acho que não é possível explicar o porquê que os irmãos nos escolhem como amigos, pois é Deus mesmo cuidando, protegendo, nos dando a sua misericórdia e nos convidando à santidade. Quando procuramos a amizade não a encontramos, porque a amizade verdadeira não é objeto de procura. Acredito que é Deus mesmo que cuida de despertar em nós todo o potencial humano e, sua graça utiliza-se das nossas capacidades humanas, tais como: a percepção, a intuição, o esvaziamento, humildade e a disposição para sairmos de nós mesmos para acolhermos o dom da vida do nosso irmão. Quando caçamos a amizade ela nos escorre pelos dedos, não a alcançamos porque ela se encontra primeiramente dentro de nós. Reconhecemos, essencialmente, no mais profundo do nosso coração aquela identidade que comunga com quem começa a viver conosco o período de conquista da amizade.

Não é possível que a amizade seja autêntica e transparente quando não deixamos que o próprio coração tenha sentido a necessidade de reconhecer o outro como alguém que parece trazer consigo aquelas disposições necessárias para conosco construir uma amizade. É pobreza de coração e de personalidade chamar alguém de amigo quando ainda de fato não o é. Quem acha que amizade é ter pressa em dizer que “somos amigos” e não compreende que ela é um exercício que exige escolha, decisão de amar, cultivo generoso, paciência, fidelidade e transparência, não está mesmo preparado para viver a amizade que atinge a profundidade e a maturidade. As pessoas superficiais costumam evidenciar suas amizades, não para celebrá-las, mas para fugir da sensação de angústia e dor de não terem amigos de verdade, amigos que foram conquistados, cultivados e inseridos no nosso ser mais profundo pelo próprio amor de Deus. Quem não trilha esse caminho constrói amizades vulgares e medíocres, interesseiras e incapazes de permanecerem quando chega o tempo da adversidade. Nessa condição o amigo é amigo enquanto dele sempre consigo extrair, aprender ou ganhar algo que satisfaça as minhas próprias carências.

Temos necessidades de amizades verdadeiras que promovam a felicidade mais esplêndida e, pela partilha e comunicação, amenize a adversidade, a dor e a solidão que tantas vezes nos pesa na alma, próprios do caminho da purificação e do amadurecimento da liberdade interior. Descrevo aqui o que o filósofo Cícero escreveu no seu célebre tratado sobre a amizade: “É possível realmente viver a vida sem conhecer a felicidade de encontrar num amigo os mesmos sentimentos? Que haverá de mais doce que poder falar a alguém como falarias a ti mesmo?... Ora, a amizade encerra em si inumeráveis utilidades. Para onde quer que te voltes, lá está ela a teu alcance. Por isso nem o fogo nem a água, como se diz, são usados em tantos lugares quanto à amizade. Eis, pois, que a amizade apresenta vantagens muito numerosas e importantíssimas; mas a que a todas ultrapassa é a de inspirar uma doce confiança no futuro sem permitir que os ânimos desfaleçam ou sucumbam. Assim, quem contempla um amigo verdadeiro contempla como que uma imagem de si mesmo. Eis porque os ausentes se fazem presentes, os pobres se tornam ricos, os fracos ganham robustez e, o que é mais difícil de dizer, os mortos recobram vida: de tanto inspirarem estima, recordação e saudade aos seus amigos. Assim, uns parecem ter encontrado felicidade na morte, outros vivem uma vida digna de louvor”.

Alegro-me por ter a liberdade e a segurança de hoje poder ter amigos e amigas, embora compreendendo que a amizade é sempre um caminho de cultivo, doação e provas de amor, ainda que essa prova maior de amor seja a oração. As Sagradas Escrituras nos apresentam amizades que começaram e logo parecem ter atingido a maturidade. Um exemplo concreto e tão fecundo é a experiência da amizade que viveu Jônatan e David, como nos narra o Primeiro livro de Samuel: “Assim que David terminou de falar com Saul, Jônatan se apegou a David e começou a amá-lo tanto quanto a si mesmo” (I Sm 18,1-4). Assim também é possível acreditarmos que tantas amizades chegam a uma comunhão profunda de maneira misteriosamente rápida, e não podemos julgar que todas essas amizades sejam interesseiras ou movidas por sentimentos contrários aos que correspondem com os princípios do amor amizade.

Quando começamos a nos relacionar a pretensão do nosso coração não deve ser egoísta, mas deixar que Deus conduza na sua graça o relacionamento, caminhar com o dom da vida do outro na tranquilidade. É nisso que consiste a sabedoria de viver bem o próprio amor fraterno que já nos fez irmãos e participantes da comunhão e do mistério do Carisma Shalom. Aos poucos se vai percebendo que Deus, com a sua providência, vai cuidando de nos aproximarmos mais e sentirmos a necessidade de acolhermos o dom da amizade que desabrocha. Verdadeiramente, bem jovem pode ser uma amizade ou mesmo que se esteja começando agora a trilhar um longo caminho de surpresas, novidades, desafios e purificações, no entanto, a graça de Deus nos é dada para cada circunstância. A amizade não isenta-nos da tentação de sermos guiados pelas nossas vontades e feridas. Este é um risco e um desafio que todos os amigos passam e em todas as fases da amizade. A amizade comporta a necessidade dos amigos estarem lúcidos e com o coração em Deus, seus sentimentos e suas carências afetivas.

O ouro da caridade passará pela prova, como nos escreve nossa mãe Maria Emmir no livro “Fio de Ouro”. Ela diz: “O ouro, assim, é esse amor de amizade, que só existe quando é vivido e que é purificado no relacionamento concreto e não em conceitos abstratos. Não existe amor sem riscos. Não existe amizade sem risco. Não existe fé sem riscos, não existe confiança sem riscos”. Ao ver Emmir falar que “não há uma confiança sem riscos” me lembro das palavras da homilia do Cardeal Ratzinger na missa de início pelo conclave, quando cita as duas definições de amizade deixadas por Cristo: “Não há segredos entre amigos: Cristo nos diz tudo o que escuta do Pai; Dá-nos sua plena confiança e, com a confiança também o conhecimento”. A confiança construída sob a caridade é essa a maior segurança que temos no relacionamento da amizade; essa amizade é assim um bem nela mesmo por causa do reflexo do amor de Deus.

Não seria possível vivermos todos os riscos que comportam a amizade, sem de fato a vivermos numa dimensão vocacional na nossa vida. É preciso ter “paixão” pelas belezas que Deus colocou para a nossa felicidade. Infelizmente, a trajetória do homem ao longo dos últimos séculos o deixou escravo de si mesmo e dependente do que ele mesmo criou para tornar a vida mais eficiente e qualitativa. Os relacionamentos são os mais atingidos por essa ilusão do homem em “ter, possuir e poder”, de forma que sua vida se asfixia na solidão, na depressão e no isolamento mais cruel que ele possa viver. Como explicar os altos índices de suicídio e loucuras nos países de primeiro mundo? Como explicar o índice crescente da violência no meio da nossa juventude? Como explicar certa indiferença nas causas sociais, o esvaziamento das igrejas, o desencanto pela arte e pela vida social e comunitária? Se falarmos especificamente da vida consagrada, evidenciaremos muitas questões que hoje são preocupantes para aqueles que trabalham a formação na vida religiosa e para todos nós que vivemos a vida fraterna na Comunidade ou na Congregação ou Seminário.

Os homens estão isolados embora estejam juntos, por isso agonizam. Querem alguém que os escute ao menos. Gritam no seu silêncio que precisam de irmãos e de amigos, caso contrário, morrerão. Descobrem a cada dia que suas escolhas excluíram os relacionamentos e por isso correm os riscos de perder o mais belo de vida: viver para o outro! Estar com o outro; Eu presente nele; Ele presente em mim; Existir um para o outro e viver a vocação sublime da Caridade fraterna e da amizade para as quais nos criou Trindade. Felizes aqueles que têm amigos! Esta é uma das mais evidentes verdades da vida humana. É tão necessária a amizade como necessário é o ar para respirar! Relacionar-se é uma necessidade vital e uma arte que se aprende. Uma amizade autêntica nos abre a outras e nos capacita a superar obstáculos da vida comunitária. Uma amizade fecunda, livre, aberta aos outros, transparente, cultivada no serviço, na verdade e nos sentimentos de Cristo transforma as nossas vidas e a daqueles que estão ao nosso redor. Transborda na vida comunitária, onde quer que estejamos e gera alegria, convivência, harmonia, santidade. É esse o caminho e os frutos da vocação da amizade em nossas vidas. A vocação é sempre uma resposta livre ao chamado que alguém nos faz. A vida consagrada tem esse “mistério evidente.” Não seguimos uma coisa ou uma idéia, mas uma Pessoa: Jesus Cristo. Temos para com ele uma amizade verdadeira, transparente e livre. É Senhor e amigo ao mesmo tempo. Cristo é o referencial de todo amor humano e divino. Não há amizade segura e vocacionada à eternidade se não tem como fundamento Aquele que sublimou a nossa humanidade e nos deu a possibilidade nova de vivermos relacionamentos novos, santos e duradouros.

Isso não significa dizer que estamos prontos para amizade humana, porque na verdade não estamos! Tudo é graça de Deus! Não somos nós que sustentamos a amizade. Ela é primeiramente dom de Deus. Uma semente que é plantada no coração de dois irmãos par que cresça com a descoberta, a escolha, o cultivo e a decisão de amar o outro por ele mesmo, embora sejam eles tão diferentes. Quando vamos conhecendo o amigo, tão logo percebemos nossas semelhanças e aquilo que é comum nos desejos e na maneira de conceber a vida. As diferenças não anulam amizade e nem são obstáculos para que ela se desenvolva em toda a sua potencialidade.

O amor será sempre a força e o fundamento, o sentido e a vocação maior da amizade. Mas não esqueçamos que é Deus quem “rega” a semente e a faz crescer com a ajuda da nossa frágil colaboração, mas quando livre e na sua graça, gera muitos frutos que permanecem além do tempo e das fronteiras. 

  Antonio Marcos
       Missionário na Comunidade de Vida Shalom
Comunidade Católica Shalom

Paciência: coragem de sofrer e esperar

- Raramente a psicologia faz considerações sobre a paciência. Freud, por exemplo, nunca fez nenhuma referência a ela em toda a sua monumental obra. E, no entanto, a paciência é uma das virtudes necessárias, ou até indispensáveis, no relacionamento com os outros e também consigo mesmo.

Inveja: Cuidado com ela!

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"Quando um homem está envolvido em si mesmo, ele se torna um pacote muito pequeno.” (John Ruskin)

Quem não ouviu dizer essa tão conhecida expressão: A inveja mata!

Insta dizer que a inveja é um sentimento tão medíocre, que se torna difícil de ser “digerido”. Esse sentimento, que é desencadeado pela desigualdade, é capaz de corroer a alma do invejoso, e o pior é que este ser humano fica tão envolvido com tal sentimento, que se sente incapaz de perceber tamanha destruição em sua própria vida.

Percebe-se de forma bem nítida que a inveja advém do apego às coisas materiais, ao desejo de obter o que o outro possui, tanto em se tratando de posses quanto de virtudes. 

Observa-se que a inveja é um sentimento tão perverso que é como se fosse uma sede insaciável, o que faz obscurecer por completo a vida do invejoso, impedindo-o de se desenvolver e/ou crescer. E isso se deve ao fato de que simplesmente o invejoso vive em prol da vida alheia, esquecendo-se de cuidar de sua própria vida, vivendo em função da vida do outro.

Mas de fato, é triste perceber que há pessoas que funcionam como verdadeiros “guardas”, de “olho vivo” na vida alheia. Mais triste ainda é lembrar que enquanto este ser humano pernicioso se preocupar com a vida do outro, sua própria vida ficará estagnada, com tendência em um curto prazo a ser conduzida a um verdadeiro caos.

Já é sabido por todos que o invejoso passa mal, chegando até a adoecer, quando alguém de seu convívio começa a brilhar; assim, utiliza de estratégias mesquinhas, “tecendo” fofocas, tentando minar, derrubar e até destruir o outro, mas, o que se observa é que, quem é derrubado e destruído é o próprio invejoso, uma vez que a inveja tem a tendência de corroer e de autodestruir, levando o indivíduo ao extermínio de si mesmo. 

Contudo, a inveja deveria ser repugnante, pois, carrega consigo a tristeza, a melancolia, o egoísmo, a dor e o ódio.


Assim sendo, torna-se importante salientar que, ao invejoso importa que o outro não tenha o que ele deseja. Ridículo, não? 

Vê-se, portanto, que o invejoso não luta para melhorar, para desenvolver e /ou crescer, pois a ele interessa ficar de “plantão” no que o outro tem e/ou possui, cujo objetivo é a destruição, uma vez que ele deseja e não os tem. A atitude do invejoso exige que o mesmo assista a sua própria vida de “camarote” sendo um mero “expectador”; desta forma, não faz acontecer, não age em prol de sua própria vida, mas em prol da vida alheia.

É de se observar que o invejoso é tão ganancioso no que o outro tem e/ou possui que fica “cego” diante dos valores, virtudes e princípios que deveria ter, preocupando-se em demasia em assumir seu papel de perversidade diante do outro, esquivando-se a todo custo da amizade e consideração para com o outro.

É importante ressaltar que o invejoso aparece carregado de desgostos, altamente descontente com a sua própria vida, cheio de angústias e totalmente revoltado, inalando egoísmo. Deixa de viver, se tornando intragável em meio ao seu convívio, uma vez que não conspira o bem para ninguém. Não sabe compartilhar e nem se alegrar com os demais, além das reações “monstruosas”, fazendo até a mudar de cor quando age.

Finalmente, é importante lembrar que cada um de nós está sujeito a cair nesse triste pecado. Peçamos a Nossa Senhora que nos dê um coração sempre atento ao irmão, para amá-lo, cuida-lo e servi-lo. Procuremos combater esse terrível pecado pela oração, confissão e uma sadia vigilância. 

Combater a inveja. Esse seja o nosso firme propósito nesse tempo. Todas as vezes em que ela se levantar dentro de nós, recorramos a Graça de Deus que é sempre operante em nossas vidas.


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por Vanilton Lima - Missionário da Com. Sh, Sec. de Planejamento e Gestão
Comunidade Católica Shalom