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domingo, 4 de setembro de 2011

Creio, mas não pratico



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Quando, num encontro de amigos, a conversa gira em torno de assuntos religiosos, é comum alguém declarar, com naturalidade e segurança: "Creio, mas não pratico!" Trata-se de uma afirmação que parece ser tão bem formulada, tão lógica, que, normalmente, ninguém a contesta. Assim, dias depois, em outro grupo, se a discussão for também sobre questões religiosas, é possível que alguém volte a fazer a mesma afirmação. Mais do que uma afirmação isolada, essa idéia de que se pode acreditar sem colocar em prática aquilo em que se acredita é tão comum que já se tornou uma mentalidade em muitos ambientes.

sábado, 3 de setembro de 2011

Os mandamentos impressos no coração do Homem


Todo ser humano, criado à imagem e semelhança de seu Criador, é chamado a participar da bem-aventurança celeste mediante o cumprimento de sua finalidade sobre a terra: com seu intelecto conhecer a Verdade absoluta, e com sua vontade aderir ao Bem supremo, que é o próprio Deus. Por isto, deverá viver uma vida reta, repleta de justiça, contribuindo com seus valores para que também a sociedade, na qual está inserido, atinja o mesmo objetivo.

sábado, 30 de julho de 2011

O sexo no plano de Deus

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Ninguém é feliz se não aceita a vontade do Senhor
Vamos refletir um pouco sobre o sentido do sexo no plano de Deus, na nossa vida. Deus e a Igreja olham para o sexo como algo muito importante. Deus Pai quis que existissem dois sexos, então cada um de nós é parte daquilo que é o seu sexo. O sexo não é apenas um ingrediente da sua pessoa, é a sua pessoa. Deus quis que o casal fosse assim feliz: "Sereis uma só carne".

domingo, 17 de julho de 2011

Fé e razão :.A amizade e a vida moral no caminho de busca da verdade

Gostaria de complementar a reflexão sobre a encíclica Fé e Razão de João Paulo II, empreendida em dois números anteriores da Shalom Maná, com este artigo sobre a importância da amizade e da ética no processo de busca da verdade. Existe no mais íntimo do homem o desejo de conhecer a verdade, um amor à sabedoria. De fato, a palavra filosofia, como sabemos, vem do grego philos (amor de amizade) – sophia (sabedoria). Na origem da filosofia encontramos, pois, a amizade.

sábado, 16 de julho de 2011

O sexo nos planos de Deus

O jovem casto exercita o autodomínio para ser fiel no casamento
O livro do Gênesis assegura que, ao criar todas as coisas, "Deus viu que tudo era bom" (Gen 1,25). Portanto, tudo o que o Criador fez é belo. O mal, muitas vezes, consiste no uso mau das coisas boas. Por exemplo, uma faca é uma coisa boa; sem ela a cozinheira não faz o seu trabalho. Mas, se um criminoso usá-la para tirar a vida de alguém, nem por isso a faca se torna má. Não. O mal é o uso errado que se fez dela. Da mesma forma, o sexo é algo criado por Deus e maravilhoso. É por ele que a criança inocente vem ao mundo.
Como Deus deu ao casal humano a missão de gerar os filhos, "crescei e multiplicai" (Gen 1,28), providenciou o sexo como instrumento de procriação. E mais, para fortalecer a união e o amor do casal fez do sexo também o meio mais profundo da "manifestação" do amor conjugal.

Podemos dizer que o ato sexual é a celebração do amor, como que a "liturgia do amor conjugal". E é no ápice desta celebração do amor que o filho é concebido. Isto é, ele não é somente a carne e o sangue do casal, mas principalmente, o fruto do seu amor. É por isso que a vida sexual de um casal que não se ama de verdade nunca é harmoniosa.
O sexo é manifestação do amor. Sem este, ele fica vazio, desvirtuado e perigoso como aquela faca na mão do assassino. Faz muitas vítimas... O que é a prostituição, senão o sexo sem amor? É apenas um ato de prazer, comprado, com dinheiro ou outros meios. No plano de Deus a vida sexual só tem lugar no casamento.
São Paulo, há dois mil anos, já ensinava aos coríntios: "A mulher não pode dispor do seu corpo: ele pertence ao seu marido. E também o marido não pode dispor do seu corpo: ele pertence à sua esposa" (I Cor 7,4). O apóstolo dos gentios não diz que o corpo da namorada pertence ao namorado, nem que o corpo da noiva pertence ao noivo.
A união sexual só tem sentido no casamento, porque só ali existe um "comprometimento" de vida conjugal, vida a dois, no qual cada um assumiu um compromisso de fidelidade com o outro. Cada um é "responsável pelo outro" até a morte, em todas as circunstâncias fáceis e difíceis da vida. Sem esse compromisso de vida o ato sexual não tem sentido e se torna perigoso.
As consequências do sexo vivido fora do casamento são terríveis: mães e pais solteiros; filhos abandonados, criados pelos avós ou em orfanatos. Muitos desses se tornam os "trombadinhas" e "delinquentes" que, cada vez mais, enchem as nossas ruas, buscando nas drogas e no crime a compensação de suas dores. Quantos abortos são cometidos porque se busca apenas e egoisticamente o prazer do sexo, e depois se elimina o fruto: a criança!
As doenças venéreas são outro flagelo do sexo fora do casamento. Ainda hoje convivemos com os horrores da sífilis, blenorragia, cancro, sem falar do flagelo moderno da AIDS. O remédio contra a AIDS é a vivência sexual apenas no casamento; e não, como se propõe, irresponsavelmente, o uso de “camisinhas”, em vez de se eliminar o vício pela raiz.
É urgente que os cristãos, pais, professores e educadores tenhamos a coragem de ensinar novamente a castidade aos jovens.
Um jovem que se mantém casto até o casamento, além de tudo, prepara a sua vontade e exercita seu autodomínio para ser fiel ao seu cônjuge no casamento. É preciso mostrar urgentemente aos jovens os valores da castidade, tanto em pensamentos como em atos.
A televisão, os filmes pornográficos, as revistas eróticas abundantes e asquerosas injetam pólvora no sangue de nossos filhos, fazendo-os escravos do sexo. E por causa disso estamos vendo meninas de 13, 14 anos, grávidas, sem o menor preparo e maturidade para serem mães. Temos que acordar. Temos que ter a coragem de oferecer aos jovens a opção da pureza que Jesus nos legou: “Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus” (Mt 5,8). Neste assunto Cristo foi exigente e não deixou margens à dúvida: “Todo aquele que olhar para uma mulher com desejo de cobiça, já adulterou com ela em seu coração” (Mt 5,27).

Felipe Aquino
www.cleofas.com.br

Uma falha astronômica /O sexo genital se tornou fonte de diversão barata


Por estar fazendo uma pesquisa sobre o matrimônio, a qual envolve a colaboração dos meus leitores, recebi por parte de pessoa bem intencionada a apresentação de uma dúvida que merece consideração. Trata-se de ideia vicejando firme em nosso mundo moderno, convictamente freudiano. O sexo genital se tornou fonte de diversão barata, ao alcance de todos. Não há freios nem limitações, de maior porte, para mentes esclarecidas, libertas de culpas doentias. Fazer amor foi classificado como ocupação normal. A atividade sexual não deve despertar mais recalques e remorsos, dizem.

Será que o cristão pode se esquecer do que dizem as Sagradas Escrituras: "Nem os imorais, nem os adúlteros, nem os depravados...irão herdar o Reino dos céus" (I Cor 6, 9)? Embora tenhamos em nós a tendência forte de tudo erotizar, a moral cristã põe à nossa frente um grande ideal: fazer uso do direito ao sexo só dentro da vida de casados. É saber “guardar-se para a pessoa amada”. Dentro do matrimônio a sexualidade tem a bênção divina, e afina com nossa natureza. O Criador concedeu ao casal humano o prazer sexual para que homem e mulher se completem física e psicologicamente, e para que tenham prole.
Ora, o caro leitor nos pergunta se não é devido a essa convicção geral - atividade sexual fora do casamento - que caiu o interesse pelo sacramento do matrimônio? Se o sexo pode ser tranquilamente vivido antes do casamento, por que ainda se casar em público? Nesta circunstância, receber o sacramento de Cristo perdeu o interesse. Isso se chama secularização. É um rombo astronômico na nossa formação moral. O cristão que procura viver essa limitação é considerado um extraterrestre. Mas é preciso ao menos desconfiar dos dogmas do mundo moderno.

São Paulo nos alerta, com sabedoria: "Não vos conformeis com este mundo" (Rom 12, 2). O Criador, que nos programou, não nos faz exigências absurdas. Tenho visto, com clareza, que os namorados que vivem esse ideal [castidade] antes do casamento, também após a união são fiéis um ao outro. E temos a certeza, vinda de Cristo: quem vive a castidade tem gosto para a vida de oração. "Felizes os puros de coração, porque verão a Deus" (Mt 5, 8).

Dom Aloísio Roque Oppermann scj - Arcebispo de Ube
domroqueopp@terra.com.br

Relacionamento, a máxima exigência com você mesmo


Muitas vezes erramos porque colocamos o foco no lugar errado
Quando um homem e uma mulher se unem diante de Deus para formarem uma família, o seu relacionamento se transforma num instrumento de cura um para o outro. Eu tenho muita pena quando um verdadeiro sacramento do matrimônio é abandonado, quando o marido e esposa decidem viver um longe do outro por causa das feridas que um acabou causando no outro ao longo de suas vidas. Eu tenho muita pena porque esse relacionamento, longe de Deus, se transformou numa arma, porque conviveram juntos e sabem dos limites um do outro.

Qual a maneira concreta por meio da qual o sacramento se torna instrumento de cura um para o outro? Faça tudo com doçura. Se você faz todas as coisas com doçura, você ganha o afeto da pessoa que está com você. Quando somos doces, mais do que ser estimados e reconhecidos, nós ganhamos o afeto da pessoa, porque ela sente que é querida e amada. O que é dar afeto? É você afetar a pessoa; e nós afetamos uns aos outros quando, no decorrer do dia, fazemos aquilo que devemos fazer com doçura.

Eu não estou falando de coisas que fogem do seu dia a dia, estou falando das coisas que você faz no ordinário da vida. Quando prepara a mesa do café, fazendo do jeito que o seu marido gosta, do jeito que seus filhos gostam de se sentar à mesa, preparando as coisas com carinho, porque já os conhece, você já sabe o que cada um vai pegar na mesa. Estou falando da maneira como você chega no seu trabalho, da forma como você dirige; do momento do almoço ou do jantar em que vocês se encontram para compartilhar a refeição, de uma palavra que você dirige à sua esposa. Já que você tem de fazer estas coisas, faça-as com ternura, faça-as de forma doce, não é fazer mais coisas, é fazer o que você já faz com bondade e ternura. Existem pessoas que dizem: "Mas eu já faço tudo o que ele gosta", mas, às vezes, falta doçura no fazer. Não o fez de maneira terna. Não importa só o darmos, mas a forma como o fazemos.
A Palavra de Deus nos diz que, quando nós agimos assim, ganhamos mais do que uma estima, e sim, o afeto. Estima é como ir levar uma joia ao joalheiro e dizer: "Quanto o senhor estima que vale esta joia?”, ou seja, é aquilo que tem valor por si só, é aquilo que admiramos. Admirar é reconhecer o valor do outro, e na admiração há uma certa distância, mas o afeto é diferente, não há admiração apenas. Nós podemos admirar até um inimigo, você pode até reconhecer que o seu inimigo tem qualidades, mas casamento sobrevive de doçura, de ternura, de toque, ou seja, a pessoa foi atingida por outra que está na mesma condição que ela. Às vezes, nós amamos uma pessoa que não nos ama, mas a força do amor é tão grande que quando passamos a amá-la, ela, que antes não nos amava, passa a nos amar. É tão grande a força do amor de quem ama que acaba fazendo a outra pessoa amá-lo também. É algo simples? Sim, é simples. Mas é fácil amar? Fácil não o é, mas é o único caminho para a transformação da outra pessoa.

Quando nós queremos que uma pessoa mude há três coisas simples e poderosas que podemos fazer:

1º) Você deve usar no relacionamento a máxima exigência com você mesmo;
2º) Você deve ter o máximo de compreensão com a outra pessoa e
3º) Ter sempre um sorriso para a outra pessoa.

No casamento nós queremos o máximo de exigência com os outros e o máximo de compreensão para conosco, mas o que transforma não são as exigências com os outros, e sim conosco. Exigência para nós e compreensão com os outros.

Muitas vezes, erramos porque colocamos o foco no lugar errado. Quando eu cobro do outro o que eu não dou, as coisas não mudam. Como é diferente um casal que troca palavras de carinho, de apoio, de elogios! Como é bom encontrar um casal que se promove, que se ama. Como é bom encontrar uma mulher apaixonada pelo marido e que sempre tem algo de bom para falar sobre ele. Da mesma forma, como é bom encontrar um marido que ama e que tem verdadeira devoção à sua mulher! É claro que há aquelas brigas para colocar as coisas nos eixos, mas estas não devem jamais ser destrutoras. Como é desagradável encontrar casais que só têm palavra más um ao outro, críticas mordazes, aquela crítica que morde, é aquela que quando uma pessoa faz a você, você não sente ternura, só sente uma punhalada no coração. Quantos casais destroem os casamentos por causa dessas críticas, e não só pelas críticas para com o cônjunge, pois estas transbordam para os filhos e, em pouco tempo, pai e mãe começam a ser cruéis com estes [filhos].
A flecha atirada e a palavra proferida não têm volta, diz um provérbio. A palavra fere como a flecha, pois quantos casamentos se esvaziaram pelas palavras malditas. Se o marido soubesse o quanto as palavras ditas na hora do nervoso e da raiva destroem as mulheres eles não as diziam. Porque a raiva e as brigas passam, mas as palavras ficam lá dentro, ficam "cozinhando" no coração da pessoa que foi ofendida. Da mesma forma, se as mulheres soubessem a força das palavras que elas proferem contra os maridos elas não as diriam. É que homem tem a mania de fazer de conta que não está ouvindo, mas aquilo fica armazenado dentro do coração e quando vem à tona, quando "explode" leva junto o casamento da pessoa.

Há coisas que não são amor. Nós somos enganados a todo momento pelas novelas, pelos filmes com os mulheres e homens perfeitos, com o beijo perfeito. Isso é mentira, isso é ilusão, isso não existe! Você quer saber o que é amor? É quando um homem olha para sua esposa e sabe que ela teve um dia difícil e por isso ela está sendo áspera nas palavras, e para não brigar com ela, ele se cala para não brigar com ela. Amor é quando você pertence a uma família humilde e pega aquele pedaço de frango de que mais gosta e oferece para a outra pessoa porque você quer o melhor para ela. Amor passa por uma panela de carne. Amor é quando depois de ter brigado, de ter discutido, ainda preparar uma cama gostosa para os dois dormirem e não conseguem dormir sem dizer uma palavra boa um para o outro. Isso é amor.
Márcio Mendes
marciomendes@cancaonova.com