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sábado, 16 de julho de 2011

O medo do nosso desconhecido CL


Encarar o positivo e o negativo que existe em nós
No mundo das relações humanas, a base fundamental é conhecer-se e, conhecendo, estabelecer relacionamentos verdadeiros. Muitas vezes, prevalece o medo de entrar  em nosso interior e tomar posse do que realmente somos e cremos, sem criar máscaras de proteção, que escondem nossa verdadeira imagem. A busca de conhecimento do outro, passa necessariamente pelo conhecimento de nós mesmos. O desconhecido em nós, faz com que não tenhamos a força suficiente para ir ao encontro do outro, como somos. Tomar posse do meu eu, para possuir o eu do outro.
Anselm Grün, monge escritor alemão afirma: “Quanto mais o medo me leva a evitar um olhar para o meu interior, mais forte torna-se o medo do desconhecido em mim. Jesus fala desse medo do desconhecido quando dirige suas palavras aos doze que escolhera: “Não tenhais medo deles, porque não há nada encoberto que não venha a ser revelado, nem escondido que não venha a ser conhecido.
Dizei à luz do dia o que vos digo na escuridão e proclamai de cima dos telhados o que vos digo ao pé do ouvido””(MT 10,26).  Certamente, Jesus estava falando aos seus colaboradores em circunstências bem diferentes à nossa, porém, penso que essas palavras podem ser referidas ao medo que existe em nós.
A capacidade de parar e encarar o positivo e o negativo que existe em nós, muitas vezes é abafada pelo medo de nos surpreender com uma explosão do que realmente somos. O medo é fruto de uma atitude muito pessimista em relação a nós mesmos. Na medida em que revelamos, a nós, o nosso interior e assumimos a realidade pessoal do jeito que ela é, passamos a viver uma liberdade jamais vivida.
Não temos nada a esconder e muito menos a guardar sob sete chaves. A transparência é o espelho da alma que acredita ser o que ela é para conhecer e amar o outro como ele é. Vivemos tão pouco, porque não estabelecer relacionamentos sinceros e verdadeiros sem medo de nós e do outro? Na medida que amo em mim, a riqueza e a pobreza com que Deus me fez, serei capaz de amar a riqueza e a pobreza do outro.
“Para Deus nada fica no escuro. Já o Salmo 139, assim se expressa: “ Se eu disser: As trevas, ao menos, vão me envolver e a luz, à minha volta, se fará noite, nem sequer as trevas são bastante escuras para ti, e a noite é tão clara como o dia, tanto faz a luz como as trevas. Pois tu plasmaste meus rins, tu me tecestes no seio de minha mãe. Graças te dou pela maneira espantosa como fui feito tão maravilhosamente”(Sl 139,11-14). A escuridão não é o lugar do afastamento de Deus, mas de sua especial proximidade. Lá ele fala ao meu coração e ilumina tudo em mim com a luz de seu amor. Ele sabe o que existe dentro de mim. Ele o desvenda para mim. Por isso não preciso mais encobri-lo de mim nem dos outros. Tudo o que há em mim é perpassado pela luz de Jesus. O próprio Jesus desceu para esta escuridão a fim de iluminá-la com sua luz”.(Anselm Gün).
No caminho da realização pessoal, o passo fundamental para ser feliz está no abandono do medo de nós mesmos, para mergulhar no nosso interior conhecendo o mais profundo de nossos sentimentos e emoções, iluminados pela luz de Jesus. Assim seremos capazes de mergulhar no conhecimento dos outros e estabelecer relacionamentos verdadeiros, sem preconceitos ou julgamentos indevidos. Nossa convivência em casa, no trabalho, no lazer, na comunidade será agradavelmente prazerosa, quando amarmos o que conhecemos em nós, para poder amar o que conhecemos no outro.
Dom Anuar Batisti
Arcebispo Metropolitano de Maringa-PR

Namoro: tempo de conhecer e reconhecer o outro


Um estímulo direto para o autoconhecimento
Tempo de namoro: tempo gostoso de conhecer a pessoa por quem, num primeiro momento, o que por vezes falou mais alto foi a paixão, mas que, logo depois, deu espaço para uma vivência madura que supera o clamor quente e desmedido, que nem sempre corresponde a expectativas interiores de cada um dos enamorados.
O convite de hoje é pensar sobre seu relacionamento de namoro: muitas pessoas o acham desnecessário, outras falam apenas no ficar, outras querem mesmo a saciedade das sensações físicas e aí mora o perigo. Quando satisfazemos apenas o físico, nosso emocional continua "carente". Amor vai além. E é aí que entra o tempo de namoro; tempo para conhecer, não apenas o "lado feliz, lindo e amável" do outro, mas também aquelas características que nem sempre aprovamos; aquele temperamento difícil de aceitar e, muitas vezes, bem diferente da outra pessoa (e daí, vêm as divergências, a nossa falta de paciência e o fim de um relacionamento).
O tempo de namoro é um período de promessa; promessa de um amor que amadurece com o tempo e não da noite para o dia. Fazer com que as coisas aconteçam antes do tempo é como querer superar o tempo do agora com o dia de amanhã, que ainda não chegou.
Mas, o que fazer agora? Agora é tempo do conhecer, do compreender quem eu sou, como reajo diante das expectativas, como eu me relaciono com as diferenças individuais e, nisso tudo, como eu posso trabalhar para superar a condição presente, agindo com respeito e tolerância e sabendo até onde eu desejo conviver com o outro, estendendo este namoro para um noivado e o compromisso do casamento.
O casal favorece um namoro saudável quando permite um olhar diferente para ambos; quais são nossos gostos em comum, nossas diferenças, nossos pensamentos sobre assuntos divergentes, aonde queremos chegar com este namoro. Você pode estar pensando: “Mas, então, sou obrigado a casar com a pessoa com a qual namoro?”. Não, você não é obrigado a nada; mas, entender e viver com seriedade esta fase é importante, mesmo que no final você nem chegue a se casar com ela, mas que entenda que as diferenças são tantas e o jeito de um e de outro são tão diferentes a ponto de este relacionamento não ser adequado para seguir em frente.
As transformações da sociedade têm feito com que muitos valores, antes cultivados, hoje, sejam por muitas pessoas esquecidos. Tratamos as coisas de forma impessoal, individual e com isso, sem uma reciprocidade, um cuidado nas relações humanas de forma geral. Daí importante perceber que quanto mais exemplos de família desestruturada temos, tanto maior a tendência de namoros que sejam pouco adequados ou de muito sofrimento.
Acredito numa verdade que diz que o namoro compreende um estímulo direto para o autoconhecimento; é nesse tempo que tudo aquilo que eu acredito como verdade é colocado em xeque com a verdade do outro: meus sentimentos, carências, dependências, crises, alegrias, decepções. Aí entra a força da superação até mesmo dos traumas e dores por uma história de vida mal compreendida. Por isso, não se deve iniciar um namoro apenas porque não se deseja ficar sozinho, sem namorado (a). Milhares de casamentos infelizes começam dessa forma, achando “depois que casar melhora” ou “o tempo faz com que se acerte tudo”. De fato, conhecer leva tempo e viver debaixo do mesmo teto faz toda a diferença. Por isso, afirmo que é muito bom olhar para o namoro com maturidade, tendo conhecimento de si, aceitando o outro, vivendo a dois a experiência do amor que constrói, amadurece, faz e refaz em sua vida. Um relacionamento maduro se faz no dia a dia e se torna maduro à medida que passamos pelas situações positivas ou negativas surgem no relacionamento e nos colocam, como casal, como um par que deve decidir a partir dos objetivos e desejos de ambos.

Elaine Ribeiro
psicologia01@cancaonova.com