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sábado, 16 de julho de 2011

A importância da maturidade afetiva na vida a dois

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Nos dias atuais em que existe um verdadeiro culto ao egocentrismo e ao hedonismo, constatamos um número cada vez maior de separações, apesar de crescer o número de casamentos. Dom Rafael Llano Cifuentes faz uma excelente reflexão sobre a importância da maturidade afetiva para a manutenção da união conjugal feliz. Apresentamos na íntegra, o seu artigo sobre o tema, uma vez que traz um conteúdo muito rico para os casais.
A afetividade não está, por assim dizer, encerrada no coração, nos sentimentos, mas permeia toda a personalidade. Estamos continuamente sentindo aquilo que pensamos e fazemos. Por isso, qualquer distúrbio da vida afetiva acaba por impedir ou, pelo menos, entravar o amadurecimento da personalidade como um todo.
Observamos isso claramente no fenômeno de “fixação na adolescência” ou na “adolescência retardada”. O adolescente caracteriza-se por uma afetividade egocêntrica e instável; essa característica, quando não superada na natural evolução da personalidade, pode sofrer uma “fixação”, permanecendo no adulto: este é um dos sintomas da imaturidade afetiva.
É significativo verificar como essa imaturidade parece ser uma característica da atual geração. No nosso mundo altamente técnico e cheio de avanços científicos, pouco se tem progredido no conhecimento das profundezas do coração, e daí resulta aquilo que Alexis Carrel, prêmio Nobel de Medicina, apontava no seu célebre trabalho O homem, esse desconhecido: vivemos hoje o drama de um desnível gritante entre o fabuloso progresso técnico e científico e a imaturidade quase infantil no que diz respeito aos sentimentos humanos.
Mesmo em pessoas de alto nível intelectual, ocorre um autêntico analfabetismo afetivo: são indivíduos truncados, incompletos, malformados, imaturos; estão preparados para trabalhar de forma eficiente, mas são absolutamente incapazes de amar. Esta desproporção tem consequências devastadoras: basta reparar na facilidade com que as pessoas se casam e se “descasam”, “juntam”-se e se separam. Dão a impressão de reparar apenas na camada epidérmica do amor e de não aprofundar nos valores do coração humano e nas leis do verdadeiro amor.
Quais são, então, os valores do verdadeiro amor? Que significado tem essa palavra? O amor, na realidade, tem um significado polivalente, tão difícil de definir, que já houve quem dissesse que o amor é aquilo que se sente quando se ama, e, se perguntássemos o que se sente quando se ama, só seria possível responder simplesmente: “Amor”. Este círculo vicioso deve-se ao que o insigne médico e pensador Gregório Marañon descrevia com precisão: “O amor é algo muito complexo e variado; chama-se amor a muitas coisas que são muito diferentes, mesmo que a sua raiz seja a mesma”.
A imaturidade no amor
Hoje, considera-se a satisfação sexual autocentrada como a expressão mais importante do amor. Não o entendia assim o pensamento clássico, que considerava o amor da mãe pelos filhos como o paradigma de todos os tipos de amor: o amor que prefere o bem da pessoa amada ao próprio. Este conceito, perpassando os séculos, permitiu que até um pensador como Hegel, que tem pouco de cristão, afirmasse que “a verdadeira essência do amor consiste em esquecer-se no outro”.
Bem diferente é o conceito de amor que se cultua na nossa época. Parece que se retrocedeu a uma espécie de adolescência da humanidade, no qual o que mais conta é o prazer. Esse fenômeno tem inúmeras manifestações. Referir-nos-emos apenas a algumas delas:
- Edifica-se a vida sentimental sobre uma base pouco sólida: confunde-se amor com namoricos, atração sexual com enamoramento profundo. Todos conhecemos algum “Don Juan”: um mestre na arte de conquistar e um fracassado à hora da abnegação que todo o amor exige. Incapazes de um amor maduro, essas pessoas nunca chegam a assimilar aquilo que afirmava Montesquieu: “É mais fácil conquistar do que manter a conquista”.
- Diviniza-se o amor: “A pessoa imatura – escreve Enrique Rojas – idealiza a vida afetiva e exalta o amor conjugal como algo extraordinário e maravilhoso. Isto constitui um erro, porque não aprofunda na análise. O amor é uma tarefa esforçada de melhora pessoal, durante a qual se burilam os defeitos próprios e os que afetam o outro cônjuge [...]. A pessoa imatura converte o outro num absoluto. Isto costuma pagar-se caro. É natural que ao longo do namoro exista um deslumbramento que impede de reparar na realidade, fenômeno que Ortega y Gasset designou por “doença da atenção”, mas também é verdade que o difícil convívio diário coloca cada qual no seu lugar; a verdade aflora sem máscaras, e, à medida que se desenvolve a vida ordinária, vai aparecendo a imagem real” (E. Rojas).
- No imaturo, o amor fica “cristalizado”, como diz Stendhal, nessa fase de deslumbramento, e não aprofunda na “versão real” que o convívio conjugal vai desvendando. Quando o amor é profundo, as divergências que se descobrem acabam por superar-se; quando é superficial, por ser imaturo, provocam conflitos e frequentemente rupturas.
- A pessoa afetivamente imatura desconhece que os sentimentos não são estáticos, mas dinâmicos. São suscetíveis de melhora e devem ser cultivados no viver quotidiano. São como plantas delicadas que precisam ser regadas diariamente. “O amor inteligente exige o cuidado dos detalhes pequenos e uma alta porcentagem de artesanato psicológico” (E. Rojas). A pessoa consciente, madura, sabe que o amor se constrói dia após dia, lutando por corrigir defeitos, contornar dificuldades, evitar atritos e manifestar sempre afeição e carinho.
- Os imaturos querem antes receber do que dar. Quem é imaturo quer que todos sejam como uma peça integrante da máquina da sua felicidade. Ama somente para que os outros o realizem. Amar para ele é uma forma de satisfazer uma necessidade afetiva, sexual, ou uma forma de autoafirmação. O amor acaba por tornar-se uma espécie de “grude” que prende os outros ao próprio “eu” para completá-lo ou engrandecê-lo.
Mas esse amor, que não deixa de ser uma forma transferida de egoísmo, desemboca na frustração e procura cada vez mais atrair os outros para si, e os outros vão progressivamente afastando-se dele. Acaba abandonado por todos, porque ninguém quer submeter-se ao seu pegajoso egocentrismo; ninguém quer ser apenas um instrumento da felicidade alheia.
Reciprocidade
Os sentimentos são caminhos de ida e volta; deve haver reciprocidade. A pessoa imatura acaba sempre se queixando da solidão que ela mesma provocou por falta de espírito de renúncia. A nossa sociedade esqueceu quase tudo sobre o que é o amor. Como diz Enrique Rojas: “Não há felicidade se não há amor e não há amor sem renúncia. Um segmento essencial da afetividade está tecido de sacrifício. Algo que não está na moda, que não é popular, mas que acaba por ser fundamental”.
Há pouco, um amigo, professor de uma Faculdade de Jornalismo, referiu-me um episódio relacionado com seu primo – extremamente egoísta – que se tinha casado e separado três vezes. No cartão de Natal, após desejar-lhe boas festas, esse professor perguntou-lhe em que situação afetiva se encontrava. Recebeu uma resposta chocante: “Assino eu e a minha gata. Como ela não sabe assinar, o faz estampando a sua pata no cartão: são as suas marcas digitais. Este animalzinho é o único que quer permanecer ao meu lado. É o único que me ama”.
O imaturo pretende introduzir o outro no seu projeto pessoal de vida, ao invés de tentar contribuir com o outro num projeto construído em comum.  A felicidade do cônjuge, da família e dos filhos: esse é o projeto comum do verdadeiro amor. As pessoas imaturas não compreendem que a dedicação aos filhos constitui um fator importante para a estabilidade afetiva dos pais. Também não assimilaram a ideia de que, para se realizarem a si mesmos, têm de empenhar-se na realização do cônjuge. Quem não é solidário termina solitário, ou juntando-se a uma “gatinha”, seja de que espécie for.

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Dom Rafael Llanos Cifuentes
Foi professor de Direito Matrimonial do Instituto Superior de Direito Canônico da Arquidiocese do Rio de Janeiro; Responsável pelo Movimento Pró-Vida; Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família-CNBB (2003-2007). Obras publicadas: “Novo Direito Matrimonial Canônico”; “Noivado e Casamento. Orientações para Solteiros e Casados”; “147 perguntas e respostas sobre o casamento”; entre outras.


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por
Revista Shalom Maná - Ed. Shalom

O namoro acabou, e agora?


A sensação de desamparo poderá trazer machucaduras
No namoro, depois de algum tempo, é possível avaliar melhor o que realmente se espera do relacionamento. Algumas vezes, depois dessa avaliação, em razão dos motivos, os quais somente o casal tem suas justificativas, o namoro termina. Mesmo que não tenha dado certo, muitas outras coisas terão valido como experiência de vida.
Com o rompimento do relacionamento o que se pode fazer?
Nenhum rompimento parece saudável num primeiro instante, especialmente, quando o relacionamento parecia estável. A pessoa que acreditava viver ao lado do namorado (a) como futuro esposo (a), se vê desnorteado (a). Vê seus projetos desabando...
Pensando ter perdido o sentido da vida, a pessoa inconformada com a situação, pode até fazer promessas de ser diferente, numa tentativa de recuperar ou remendar o compromisso por mais um período.
A sensação de desamparo depois de algum tempo de convivência e todas as lembranças sobre o que foi vivido no relacionamento poderão trazer machucaduras, especialmente para aqueles que ainda se sentem apaixonados.
Se há um problema, há também uma solução!
Superados os momentos mais dolorosos, os ex-namorados terão que enfrentar o sentimento do vazio, de solidão que ficou. Na tentativa de preencher este espaço gerado pelo rompimento, a pessoa pode pensar que encontrar um novo namorado (a) seja a solução para o problema sentimental. Outros podem sentir medo de viver um novo relacionamento e voltar a se ferir.
Como se pode começar algo novo sem antes ter assimilado aquilo que foi vivido anteriormente?
Entender melhor o que somos, o que queremos e aprender a lidar com sentimentos, muitas vezes, desconhecidos em nós, como ciúme, posse, medo e insegurança pode ser a chave para compreender aquilo que esperamos daquele (a) que se põe ao nosso lado.
Numa relação, quer seja de amizade ou de namoro, se faz necessário identificar a importância da nossa participação, como também, perceber o vínculo da outra pessoa para com a gente e vice-versa. Acredito ser necessário ter consciência do real valor desse último relacionamento amoroso em resposta aos anseios nele projetado.
Analisar os prós e os contras a respeito de nossos impasses, se torna mais fácil quando conversamos com alguém sobre nossas dores, anseios e dificuldades. E as verdadeiras amizades nos auxiliam a entender um pouco mais sobre em que precisamos fundamentar nossos relacionamentos.
A participação e os conselhos de alguém que esteja fora dos nossos problemas e comprometida, verdadeiramente, com a nossa felicidade é sempre de grande ajuda, podendo ser o nosso remédio.
Na certeza de que para o próximo relacionamento você estará mais maduro (a) a respeito do que espera e deseja, deixo meu abraço.

Dado Moura

www.dadomoura.com

O que é amar?

O seu namoro só terá sentido se for um aprendizado
O namoro é um aprendizado do amor. Fomos criados para viver o amor. Sem ele o homem e a mulher não podem ser felizes. Mas, afinal, o que é amar?
O que leva muitos casamentos ao fracasso é a noção falsa que se tem do amor hoje. Há no ar uma 'caricatura' do amor. Se eu lhe der uma nota de cem reais falsa, você não aceitará, pois ela não vale nada, e você ainda poderia ser incriminado por causa dela. Se você construir uma casa usando cimento falsificado, cuidado por que ela poderá desabar sobre a sua cabeça. Se você levar para o casamento um amor falso, ele certamente desabará, pois o 'cimento' da união é o amor.
Para mostrar bem claro o que é amar, vamos iniciar mostrando o que não é amar. Amor não egoísmo; isto é, preferência por mim, mas pelo outro. Se você come uma fruta com gosto, não pode dizer que a ama. Se você treme de paixão diante de uma menina, e lhe diz : 'eu te amo', esteja certo de que você está mentindo, pois esta tremedeira é sinal de que você quer saciar o seu ego desejoso de prazer. Isto não é amor, é paixão carnal, é egoísmo. Se você está encantada com a beleza dele e se desdobra em declarar o seu amor por ele, saiba que isto também não é ainda amor, pois amor não é pura emoção ou sentimento.
Amar é muito mais do que isso, pois não é satisfazer a si mesmo, mas ao outro.
Quando você disser a alguém 'eu te amo', esteja certo de que você não quer a sua própria satisfação ou felicidade, mas a do outro. Cuidado com as 'caricaturas' do amor porque são falsas, e não podem fazer a felicidade do casal. Todo jovem tem sede de amar, mas muitas vezes o seu amor é mascarado e se apresenta falso e perigoso. Amar não é apoderar´se do outro para satisfazer-se; é o contrário, é dar-se ao outro para completá-lo. E para isto é preciso que você se renuncie, se esqueça. Você corre o risco de, insatisfeito, querer apaixonadamente agarrar aquilo que lhe falta; e isto não é amar.
Assim o amor morre nas suas mãos. Você só começará a compreender o que é amar, quando a sua vontade de fazer o bem ao outro for maior do que a sua necessidade de tomá-lo só para si, para satisfazer-se. São precisos oito anos para formar um médico, dez anos para se defender uma tese de doutorado. Para amar de verdade, será preciso uma longa preparação, porque somos egoístas. Sabemos, que a pressa é inimiga da perfeição. Há um provérbio chinês que ensina que tudo aquilo que quisermos construir sem contar com o tempo, ele mesmo se incumbe de destruir. Se você pintar uma parede que ainda está molhada, vai perder o serviço e a tinta.
O amor é hoje uma palavra tão mal usada, tão gasta, que é preciso ser redefinida para ser autêntica. O maior engano que existe hoje sobre o amor, é que, na maioria das vezes, quando alguém fala que está amando, na verdade está amando a si mesmo. Isto não é amor; é egoísmo. Há muitas 'miragens' do amor. Se o seu coração bate acelerado diante de alguém que o atrai, isto é sensibilidade, não chame ainda de amor. Se você perdeu o controle e se entregou a ele, isto é fraqueza, não chame isto ainda de amor. Se você está encantada com a cultura dele, fascinada pela sua bela carreira, e já não consegue mais ficar sem a conversa dele, isto é admiração, ainda não é amor.
Amar é uma decisão. E a decisão não é tomada apenas com o coração, empurrado pela sensibilidade. A decisão é tomada com a razão. Amar não é um ato intuitivo, mecânico, é uma decisão livre e consciente. É um ato da vontade, do querer. Para amar é preciso aceitar 'perder-se', esquecer-se, não voltar a si mesmo. É claro que a sensibilidade ajuda você sair de si mesmo, mas ela não é suficiente para levá-lo a amar. A admiração pelo outro, a afeição, empurram você para ele, mas isto ainda não é amor. Lembre-se, o amor é como uma via de mão única, que sai de você e vai até o outro.
É fácil viver as caricaturas do amor, mas o autêntico amor é exigente. A autenticidade do amor se verifica pela cruz. Todo amor verdadeiro traz o sinal do sacrifício. E é através desse sinal que você identifica o verdadeiro amor e o falso. Não há amor sem renúncia. Depois que o pecado entrou em nossa história, amar tornou-se uma 'imolação a si mesmo', uma verdadeira crucificação própria. Mas os seus frutos são doces.
Quando se planta amor, se colhe amor, ensinava São João da Cruz. Muitas vezes você pode ter reclamado de que não recebeu amor, mas será que você semeou amor ali naquele lugar? Se você amar gratuitamente, receberá tudo de volta. Se nos apegarmos ciosamente a nós mesmos e às criaturas, acabaremos perdendo tudo.
Para que o seu namoro seja rico é preciso basear-se neste amor que é doação de si mesmo para construir o outro. Se não houver amor, não haverá crescimento mútuo, e será tempo perdido. O seu namoro só terá sentido se for um aprendizado do autêntico amor. O amor tem muitas faces: a compreensão, a aceitação do outro, o perdão, a busca da verdade, a paciência, a sinceridade, a fidelidade, a bondade, o perdão, e tudo que faz o outro crescer.

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