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segunda-feira, 18 de julho de 2011

O valor da vida humana e da sua inviolabilidade

 

A vida humana é o maior talento que Deus concedeu ao homem. A vida não é simplesmente o viver um dia após o outro. A vida



A vida humana é o maior talento que Deus concedeu ao homem. A vida não é simplesmente o viver um dia após o outro. A vida é muito mais do que isso! A vida humana é sagrada e inviolável em todas as suas fases e situações. A vida é um bem indivisível. A vida humana faz parte de um plano divino. Deus Pai preparou um plano maravilhoso para a vida de cada pessoa criada e deseja que ela seja feliz. A vida humana tem muita importância para Deus. É em Deus que o ser humano encontra o sentido da sua vida. Quando nos damos conta de que Deus tem um plano para nós, entendemos o motivo de vivermos. Deus quer que todos os seus filhos progridam e se tornem mais semelhantes a Ele. O tempo que passamos na Terra dá-nos a oportunidade de desenvolver-nos e progredir. Este talento precisa dar muitos frutos, não pode ser enterrado. A vida do homem encerra uma infinidade de graças, de potencialidades. A partir dela o homem pode desenvolver-se, crescer, experimentar as suas capacidades, contribuir para o crescimento da humanidade e do mundo.

Receber a vida de Deus, é receber um corpo e uma alma, utilizar o livre arbítrio para escolher entre o bem e o mal, ter a capacidade de tornar-se mais semelhante ao Pai e colaborar com o desenvolvimento dos nossos irmãos; do cuidar do outro enquanto pessoa confiada por Deus à sua responsabilidade.

A vida humana tem em si mesma uma valor inestimável. A vida humana é sempre um bem, mas infelizmente a maioria das pessoas não consegue reconhecê-lo. É imprescindível, para que o homem conduza de forma correta, sua vida e a daqueles por quem é responsável, conhecer o valor da vida humana. As ameaças que hoje a vida humana está sujeita acontecem pelo fato de o homem não saber quem é, nem para que foi criado e qual o sentido de sua vida. Existem alguns aspectos importantes que revelam a grandeza e o valor precioso da vida humana. Entre eles estão o fato de que a vida humana é um dom de Deus, de que o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus, de que Jesus assumiu a vida humana e de que a vida humana é o alvo da misericórdia de Deus.

Só Deus é propriamente eterno, isto é, não tem princípio nem fim. Em Deus, não existe passado nem futuro, mas um presente imutável. Houve um momento que só Deus existia, mas quis criar o mundo sem utilizar nenhum material pré-existente. A criação inteira é fruto do amor e onipotência de Deus, mas Ele “não permanece apenas em estreita relação com o mundo, como Criador e fonte última da existência. Ele também é Pai: está unido ao homem por ele chamado à existência no mundo visível, mediante um vínculo ainda mais profundo do que o da criação. É o amor que não só cria o bem, mas que faz com que se participe da própria vida de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. Efetivamente, quem ama deseja dar-se a si próprio” (Dives in misericordia de João Paulo II, cap. V, ítem 7, pág. 42, Edições Paulinas, São Paulo, 1998).

O Autor da vida é Deus. Só Deus pode dar a vida. Ele cria a vida do nada. Criar é uma prerrogativa só de Deus. Criar quer dizer “fazer que exista algo que antes não existia, tirando-o do nada”. Por si só, o homem não é capaz de dar a vida. O homem não pode criar, pode modificar, por exemplo, o curso de um rio, ou fabricar um tecido, um carro, construir uma casa. Deus criou o homem do nada: “Façamos o homem” (cf. Gn 1,26). Deus moldou o homem com suas mãos. Fez o homem do barro, com o trabalho de suas mãos, com grande atenção, desvelo e ternura: “Então o Senhor Deus modelou o homem da argila do solo, soprou alento de vida em seu nariz, e o homem se transformou em ser vivo” (Gn 2,7). Deus criou o homem do barro e da água, criaturas inanimadas, sem alma e soprou sobre ele o “nefesh”, o sopro da vida. Deus deu ao homem uma alma só dele, alma bela, pura, santa, imaculada, feita para viver unida a Ele (cf. Ao amor da minha vida, Emmir Nogueira, Carta I, pág 13, Edições Shalom, Fortaleza, Brasil, 2004).

Deus criou a mulher, também do nada, apesar de tê-la criado a partir de um homem vivente, não precisava de nada disso para criá-la, porque Deus é Deus e tudo criou a partir do nada. A origem da mulher é Deus. Ele foi quem decidiu criá-la, como o homem, do nada.

Deus “criou cada homem fazendo dele um prodígio” (cf. Sl 139/138,14). Só pelo fato de a vida ser um dom de Deus já explica o valor inestimável da mesma. Por esta razão João Paulo II conclama o homem a ter um olhar contemplativo diante da vida e explica este olhar: “É o olhar de quem observa a vida em toda a sua profundidade, reconhecendo nela as dimensões de generosidade, beleza, apelo à liberdade e à responsabilidade. É o olhar de quem não pretende apoderar-se da realidade, mas a acolhe como um dom, descobrindo em todas as coisas o reflexo do Criador e em cada pessoa a sua imagem viva” (cf. Gn 1,27; Sl 8,6)(Evangelium Vitae, 83).

Deus criou, por amor, o homem e a mulher do nada e os criou à sua imagem e semelhança. Tanto o homem como a mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, à nossa semelhança, e que ele submeta os peixes do mar, os pássaros do céu, os animais grandes, toda a terra e todos os animais pequenos que rastejam sobre a terra! Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou; criou-os macho e fêmea. Deus os abençoou e lhes disse: ‘Sede fecundos e prolíficos, enchei a terra e dominai-a. Submetei os peixes do mar, os pássaros do céu e todo animal que rasteja sobre a terra!”(Gn 1,26).

Ser criado à imagem e semelhança de Deus demonstra o amor profundo de Deus pelo homem, mas não basta ter sido criado, é necessário que o homem assuma esta imagem para manifestá-la ao mundo. É missão do homem ser imagem e semelhança de Deus. No princípio lhes foi recomendado, ao homem e a mulher, a função de conservar a imagem de Deus em si. O homem precisa assumir o seu ser de “pessoa” e respeitar os seus irmãos como “pessoas”, assumir a sua vocação para o amor, usar da sua liberdade para fazer a vontade de Deus, fazer sua opção sempre pelo bem, doar a sua vida, cuidar dos seus irmãos, centrar seus olhos nas coisas que não passam, mas nas eternas.

Jesus assumiu a vida humana. “Pela sua encarnação, ele, o Filho de Deus, uniu-se de certo modo a cada homem” (Gaudium et Spes, 22). Neste acontecimento da salvação foi revelado à humanidade não só o amor infinito de Deus pelo homem, mas também o valor incomparável da cada pessoa humana.

Jesus assume o corpo humano e o eleva ao plano divino. Ao se fazer homem, Jesus não só valoriza a vida humana, como revela o seu valor. Ninguém assumiria uma situação que não fosse para ele algo de grande importância.

Diz João Paulo II: “A cada homem, sem exceção alguma, Cristo de algum modo se uniu, mesmo quando tal homem disso não se acha consciente: Cristo, morto e ressuscitado por todos os homens, a estes – a todos e a cada um dos homens – oferece sempre... a luz e a força para poderem corresponder à sua altíssima vocação” ( O Redentor do Homem, 14, pág. 42 – Edições Paulinas).

Na encarnação o homem se reencontra com o valor sagrado de sua vida: “Nesta dimensão o homem reencontra a grandeza, a dignidade e o valor próprios da sua humanidade. No mistério da redenção o homem é novamente «reproduzido» e, de algum modo, é novamente criado. Ele é novamente criado! [...] Que grande valor deve ter o homem aos olhos do Criador, se «mereceu ter um tal e tão grande Redentor», se «Deus deu o seu Filho», para que ele, o homem, «não pereça, mas tenha a vida eterna» (O Redentor do Homem, 10, págs. 26 e 27 – Edições Paulinas).

A redenção conquistada por Cristo “restituiu definitivamente ao homem a dignidade e o sentido da sua existência no mundo, sentido que ele havia perdido em considerável medida por causa do pecado” ( O Redentor do Homem, 10, pág. 27 – Edições Paulinas).

A misericórdia de Deus prova, também, a altíssima dignidade da vida humana. Ele, ao ver o filho pródigo que regressa a casa, inundado pelo seu amor “hesed”, amor que ama por causa do pecado, corre ao seu encontro, abraça-o e beija-o . Ele age assim impulsionado por um profundo afeto, mas a causa desta grande compaixão divina possui uma razão mais profunda. João Paulo II diz: “O Pai sabe que o que se salvou foi um valor fundamental: o valor da humanidade de seu filho. Muito embora este tenha esbanjado a herança, a verdade é que sua humanidade está salva. E, mais ainda, essa, de algum modo, foi reencontrada. [...] A fidelidade do Pai a si próprio está centralizada inteiramente na humanidade do filho perdido, na sua dignidade. [...] ...o amor que brota da própria essência da paternidade, quase que obriga o pai, se assim podemos nos exprimir, a ter solicitude pela dignidade do filho. [...] Quando isto acontece, aquele que é objeto da misericórdia não se sente humilhado, mas como que reencontrado e «revalorizado» (A Misericórdia Divina, Cap. IV, 6, pág. 35 – Edições Paulinas).

Na mesma linha, pode-se acrescentar, que a misericórdia divina não difama aquele que recebe e nem ofende a dignidade do homem. A Igreja, através de João Paulo II, confirma isto: “A parábola do filho pródigo mostra que a realidade é diferente; a relação de misericórdia baseia-se na experiência comum daquele bem que é o homem, na experiência comum da dignidade que lhe é própria.[...]... por outro lado, para o pai, precisamente por isso, ele torna-se um bem particular (A Misericórdia Divina, Cap IV, pág. 36 – Edições Paulinas).

O ser humano, a vida humana tem sido ameaçada por vários atos maus como a contracepção, a esterilização direta, a masturbação, as relações pré-matrimoniais, as relações homossexuais, a fecundação artificial, a clonagem, o aborto, a eutanásia, anorexia, bulimia, droga, suicídio, fome, tortura, guerra, sexo, procriação assistida... porque muitas pessoas estão mergulhadas na confusão do verdadeiro sentido e valor de sua própria vida.

O homem não tem o poder de apropriar-se da vida para decidir sobre ela, o homem não pode reivindicar para si a mais completa autonomia moral de decisão sobre a vida, o homem não pode dispor da própria vida e da dos outros como quer, porque o valor da vida não é relativo, não é um “bem simplesmente relativo, confrontada e ponderada com outros bens, segundo uma lógica proporcionalista ou de puro cálculo” (cf. Evangelium vitae, 68).

Muitas pessoas afirmam que são “donas” de sua própria vida, portanto podem fazer dela o que quiserem. João Paulo II afirma: “A vida do homem provêm de Deus, é dom seu, é imagem e figura dele, participação do seu sopro vital. Desta vida, portanto, Deus é o único Senhor: o homem não pode dispor dela. Deus mesmo o confirma a Noé, depois do dilúvio:«Ao homem, pedirei contas da vida do homem, seu irmão» (Gn 9,5). E o texto bíblico preocupa-se em sublinhar como a sacralidade da vida tem seu fundamento em Deus e na sua ação criadora: «Porque Deus fez o homem à sua imagem»(Gn 9,6) [...] Portanto, a vida e a morte do homem estão nas mãos de Deus, em seu poder” (Evangelium Vitae, 39, Edições Paulinas).

No entanto, o que temos visto é que, diante da sua própria vida e a dos seus irmãos, não raramente o homem se apossa da liberdade que Deus deu a ele para fazer da vida, independente de Deus, o que quiser, mas a liberdade do homem só é autêntica liberdade se for baseada na verdade sobre o homem e sobre o mundo; verdade esta que não pode ser aparente, mas a verdade que Cristo trouxe ao homem.

Ter a vida nas mãos de Deus jamais será um risco, como alguns pensam, porque Deus é “amor em atos”, ou seja, tudo o que realiza é por amor. Todas as ações de Deus são amor. Deus age amando. Estar nas suas mãos, em seu poder, é estar em lugar seguro.

O tempo do Natal, onde Cristo vem mais uma vez ao mundo assumindo a vida do homem, tem a graça de fazer-nos lembrar o valor da nossa vida. Através deste ato sagrado, Cristo une a vida frágil do homem à vida divina. A vida humana une-se radicalmente à vida divina. Cristo revela o rosto de Deus através da vida humana e revela o rosto do homem na vida de Deus. Cristo defende a vida humana morrendo numa cruz. O homem tem o dever de promover e defender a vida em todas as circunstâncias que ela se encontrar, mas infelizmente o que temos presenciado é que ele se tornou a maior ameaça contra ela. Se continuar, deliberadamente como tem feito, a destruir a vida, o homem colherá amargos frutos. Ainda é tempo de acordar do sono da insensibilidade e da mentalidade utilitarista. Ainda é tempo de fazer o caminho de volta a favor da vida. Não entreguemos os nossos filhos, os filhos de nossa pátria, os filhos do mundo inteiro nas mãos dos “modernos algozes”. Não nos deixemos levar pela modernidade, pelo caminho mais fácil, pelo egoísmo, pelo individualismo, pelo esquecimento dos mais frágeis, abracemos a vida de Cristo que entregou livremente a sua vida para que todos nós tivéssemos vida e vida em abundância.

Por Germana Perdigão

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