- Não há oposição entre a ciência e a fé, uma vez que ambas são obras do mesmo Deus. A ciência é o nutriente da inteligência, enquanto a fé é o alimento da alma. A ciência leva o homem ao conhecimento profundo das leis do mundo natural, a fé o transporta à transcendência do sobrenatural. A ciência se desenvolve na investigação sistemática do mundo visível, a fé cresce na confiança e no abandono. A ciência exige provas, a fé requer aceitação. A ciência exige pesquisa, a fé exige contemplação... Onde termina o estreito alcance da ciência, aí começa o horizonte infinito da fé. Ambas se completam e se auxiliam mutuamente.
A ciência não pode caminhar sem a fé. É esta que lhe confere os critérios éticos e morais para a sua conduta e para a aplicação dos seus conhecimentos. Na encíclica Redemptor Hominis, o Papa João Paulo II alerta: “O homem de hoje não está respeitando a primazia da pessoa sobre a coisa, da ética sobre a técnica, do espiritual sobre o material”. Antes dele, a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II, já afirmava: “Se a pesquisa metódica, em todas as ciências, proceder de maneira verdadeiramente científica e segundo as leis morais, na realidade nunca será oposta à fé: tanto as realidades profanas quanto as da fé originam-se do mesmo Deus. Mais ainda: aquele que tenta perscrutar com humildade e perseverança os segredos das coisas, ainda que disto não tome consciência, é como que conduzido pela mão de Deus, que sustenta todas as coisas, fazendo que elas sejam o que são” (GS, 36).
Por outro lado, a fé faz uso da ciência para elucidar-se melhor e para não agir como cega. É nos conhecimentos da História, Artes, Física, Química, Paleontologia, Hermenêutica, Arqueologia etc., que a Igreja busca as luzes da razão para ver melhor o “mistério da fé”.
À luz das ciências – que considera um grande dom de Deus para o homem – a Igreja caminha para compreender melhor a “revelação” do sobrenatural, sem dispensar, é claro, a graça divina. Convém lembrar que foi a Igreja Católica quem fundou as primeiras Universidades do mundo. Hoje o Vaticano possui a Pontifícia Academia de Ciências, e anualmente o Santo Padre entrega prêmios aos jovens pesquisadores que se destacam em seus trabalhos no desenvolvimento do humanismo cristão. Vale salientar que mais recentemente foi criada a primeira Faculdade de Bioética do mundo, em Roma.
Muitos religiosos foram, e ainda são, grandes estudiosos, não apenas no campo da Teologia. Santo Alberto Magno, por exemplo, era um apaixonado e vocacionado ao magistério e às pesquisas na área das ciências naturais. Foi dispensado do episcopado para continuar lecionando, pregando e pesquisando com tranqüilidade os assuntos sobre mecânica, zoologia, botânica, metereologia, agricultura, física, tecelagem e navegação, dentre outras. Suas obras escritas (22 volumes), bem como o testemunho de sua vida, impregnaram toda a Igreja de santidade e exemplo de quem soube viver, com equilíbrio e graça, a fé que não contradiz a razão. Após a sua morte (1280), foi proclamado Doutor da Igreja e Patrono dos cultores das ciências naturais.
Causa-nos tristeza encontrar um homem da Ciência que não tenha fé. Isto, pela simples razão de que o pesquisador é aquele que mais de perto pode “tocar” a face de Deus, oculta mas presente nas maravilhas da natureza. O cientista deveria ser o “primeiro” a dobrar os joelhos e curvar a cabeça para adorar e servir “Aquele que É” (Ex 3,14) e que criou todos os seres do nada. Como diz o livro da Sabedoria: “São insensatos por natureza os que desconheceram a Deus e, através dos bens visíveis, não souberam reconhecer Aquele que é, nem reconhecer o Artista, considerando as suas obras (Sb 13,1).
Por outro lado, é emocionante ver cientistas famosos relacionar os seus conhecimentos com a existência de Deus. Por exemplo, Blaise Pascal, nascido na França em 1623, dotado de extraordinária inteligência e aguçada curiosidade foi um excelente e precoce autodidata. Dedicado aos estudos científicos, matemáticos e físicos, com apenas doze anos descobriu sozinho as 32 primeiras proposições da Geometria de Euclides e, quatro anos mais tarde, escreveu um tratado sobre as Seções Cônicas. Por volta dos 22 anos de idade Pascal conseguiu demonstrar e confirmar as descobertas de Torricelli a respeito da pressão atmosférica. Entretanto, afirma ter descoberto a verdade e a felicidade que tanto buscava somente em 1654, quanto teve uma forte experiência mística com Deus.
Também Louis Pasteur, um dos ilustres sábios do século XIX, célebre químico francês, imortalizou-se pelos seus trabalhos sobre a fermentação, as doenças do bicho da seda, a profilaxia da raiva e de outras doenças contagiosas, foi um católico de fé. No discurso de inauguração de seu “Instituto Pasteur”, humildemente rendeu graças à ajuda divina que lhe permitiu expandir as fronteiras conhecidas da vida. E no fim de sua vida, já velho e paralisado, pedia que lessem para ele o Evangelho.
Podemos citar ainda Antoine Henri Becquerel (1852-1908), Nobel de Física em 1903, descobridor da radioatividade, afirmou: “Foram minhas pesquisas que me levaram a Deus”. Da mesma forma Max Planck (1858-1947), prêmio Nobel de Física em 1918, pela descoberta do “quantum” de energia, afirmou: “O impulso de nosso conhecimento exige relacionar a ordem do universo com Deus”. Albert Einstein (1879-1955), Nobel de Física em 1921, pela descoberta do efeito foto-elétrico, disse: “Quanto mais acredito na ciência, mais acredito em Deus... O universo é inexplicável sem Deus”. Erwin Schorödinger (1887-1961), prêmio Nobel de Física em 1933, pelo descobrimento de novas fórmulas da energia atômica, afirmou: “A obra mais eficaz, segundo a Mecânica Quântica, é a obra de Deus”. O próprio Voltaire, racionalista e inimigo sagaz da fé católica, foi obrigado a dizer: “O mundo me perturba e não posso imaginar que este relógio funcione e não tenha tido relojoeiro”.
Nos dias de hoje, Marcelo Gleiser, físico e cientista carioca de 43 anos, professor do Dartmouth College nos Estados Unidos, desde que decidiu se dedicar a estudar a aproximação entre ciência e religião, seus livros se tornaram sucessos editorias e suas colunas dominicais no “Caderno Mais” da Folha de São Paulo aumentaram o número de e-mails em sua caixa postal eletrônica.
A Igreja nutre grande estima pelas pesquisas científicas e técnicas, porque “constituem uma expressão significativa da soberania do homem sobre a criatura” (Cat, 2293). De Copérnico a Mendel, de Alberto Magno a Pascal, de Galileu a Marconi, a história da Igreja e a história das ciências nos mostram claramente como existe uma cultura científica radicada no cristianismo. Por ocasião do jubileu dos cientistas, o Papa João Paulo II (maio/2000) exortou: “Grande é a responsabilidade à qual fostes chamados. A vós é pedido que trabalhem a serviço do bem de cada pessoa e da humanidade inteira, atentos sempre à dignidade do ser humano e ao respeito à criação. Cada proposta científica necessita de um suporte ético e de uma sábia abertura a uma cultura respeitosa à dignidade da pessoa humana... Este jubileu dos cientistas constitui um encorajamento e um sustento para aqueles que buscam sinceramente a verdade. Homens das ciências, sejais construtores de esperança para toda a humanidade! Deus vos acompanhe e torne frutuoso o vosso esforço a serviço do autêntico progresso do homem. Intercedam por vós Santo Tomás de Aquino e os outros santos e santas que, em vários campos do saber, ofertaram uma enorme contribuição ao conhecimento da realidade criada à luz do mistério divino”.
Bibliografia:
1. Catecismo da Igreja Católica. 10 ed. São Paulo: Loyola, 2000.
2. João Paulo II. Encíclica Redemptor Hominis. Sãp Paulo: Paulinas, 19????
3. documento do Concílio Vaticano II Gaudium et Spes. São Paulo: Paulinas, 19????
4. Pascal. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 19????
5. Revista Universidade Pública. Ano II, nº 08, Fortaleza: UFC, Out/Nov 2001.
A ciência não pode caminhar sem a fé. É esta que lhe confere os critérios éticos e morais para a sua conduta e para a aplicação dos seus conhecimentos. Na encíclica Redemptor Hominis, o Papa João Paulo II alerta: “O homem de hoje não está respeitando a primazia da pessoa sobre a coisa, da ética sobre a técnica, do espiritual sobre o material”. Antes dele, a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II, já afirmava: “Se a pesquisa metódica, em todas as ciências, proceder de maneira verdadeiramente científica e segundo as leis morais, na realidade nunca será oposta à fé: tanto as realidades profanas quanto as da fé originam-se do mesmo Deus. Mais ainda: aquele que tenta perscrutar com humildade e perseverança os segredos das coisas, ainda que disto não tome consciência, é como que conduzido pela mão de Deus, que sustenta todas as coisas, fazendo que elas sejam o que são” (GS, 36).
Por outro lado, a fé faz uso da ciência para elucidar-se melhor e para não agir como cega. É nos conhecimentos da História, Artes, Física, Química, Paleontologia, Hermenêutica, Arqueologia etc., que a Igreja busca as luzes da razão para ver melhor o “mistério da fé”.
À luz das ciências – que considera um grande dom de Deus para o homem – a Igreja caminha para compreender melhor a “revelação” do sobrenatural, sem dispensar, é claro, a graça divina. Convém lembrar que foi a Igreja Católica quem fundou as primeiras Universidades do mundo. Hoje o Vaticano possui a Pontifícia Academia de Ciências, e anualmente o Santo Padre entrega prêmios aos jovens pesquisadores que se destacam em seus trabalhos no desenvolvimento do humanismo cristão. Vale salientar que mais recentemente foi criada a primeira Faculdade de Bioética do mundo, em Roma.
Muitos religiosos foram, e ainda são, grandes estudiosos, não apenas no campo da Teologia. Santo Alberto Magno, por exemplo, era um apaixonado e vocacionado ao magistério e às pesquisas na área das ciências naturais. Foi dispensado do episcopado para continuar lecionando, pregando e pesquisando com tranqüilidade os assuntos sobre mecânica, zoologia, botânica, metereologia, agricultura, física, tecelagem e navegação, dentre outras. Suas obras escritas (22 volumes), bem como o testemunho de sua vida, impregnaram toda a Igreja de santidade e exemplo de quem soube viver, com equilíbrio e graça, a fé que não contradiz a razão. Após a sua morte (1280), foi proclamado Doutor da Igreja e Patrono dos cultores das ciências naturais.
Causa-nos tristeza encontrar um homem da Ciência que não tenha fé. Isto, pela simples razão de que o pesquisador é aquele que mais de perto pode “tocar” a face de Deus, oculta mas presente nas maravilhas da natureza. O cientista deveria ser o “primeiro” a dobrar os joelhos e curvar a cabeça para adorar e servir “Aquele que É” (Ex 3,14) e que criou todos os seres do nada. Como diz o livro da Sabedoria: “São insensatos por natureza os que desconheceram a Deus e, através dos bens visíveis, não souberam reconhecer Aquele que é, nem reconhecer o Artista, considerando as suas obras (Sb 13,1).
Por outro lado, é emocionante ver cientistas famosos relacionar os seus conhecimentos com a existência de Deus. Por exemplo, Blaise Pascal, nascido na França em 1623, dotado de extraordinária inteligência e aguçada curiosidade foi um excelente e precoce autodidata. Dedicado aos estudos científicos, matemáticos e físicos, com apenas doze anos descobriu sozinho as 32 primeiras proposições da Geometria de Euclides e, quatro anos mais tarde, escreveu um tratado sobre as Seções Cônicas. Por volta dos 22 anos de idade Pascal conseguiu demonstrar e confirmar as descobertas de Torricelli a respeito da pressão atmosférica. Entretanto, afirma ter descoberto a verdade e a felicidade que tanto buscava somente em 1654, quanto teve uma forte experiência mística com Deus.
Também Louis Pasteur, um dos ilustres sábios do século XIX, célebre químico francês, imortalizou-se pelos seus trabalhos sobre a fermentação, as doenças do bicho da seda, a profilaxia da raiva e de outras doenças contagiosas, foi um católico de fé. No discurso de inauguração de seu “Instituto Pasteur”, humildemente rendeu graças à ajuda divina que lhe permitiu expandir as fronteiras conhecidas da vida. E no fim de sua vida, já velho e paralisado, pedia que lessem para ele o Evangelho.
Podemos citar ainda Antoine Henri Becquerel (1852-1908), Nobel de Física em 1903, descobridor da radioatividade, afirmou: “Foram minhas pesquisas que me levaram a Deus”. Da mesma forma Max Planck (1858-1947), prêmio Nobel de Física em 1918, pela descoberta do “quantum” de energia, afirmou: “O impulso de nosso conhecimento exige relacionar a ordem do universo com Deus”. Albert Einstein (1879-1955), Nobel de Física em 1921, pela descoberta do efeito foto-elétrico, disse: “Quanto mais acredito na ciência, mais acredito em Deus... O universo é inexplicável sem Deus”. Erwin Schorödinger (1887-1961), prêmio Nobel de Física em 1933, pelo descobrimento de novas fórmulas da energia atômica, afirmou: “A obra mais eficaz, segundo a Mecânica Quântica, é a obra de Deus”. O próprio Voltaire, racionalista e inimigo sagaz da fé católica, foi obrigado a dizer: “O mundo me perturba e não posso imaginar que este relógio funcione e não tenha tido relojoeiro”.
Nos dias de hoje, Marcelo Gleiser, físico e cientista carioca de 43 anos, professor do Dartmouth College nos Estados Unidos, desde que decidiu se dedicar a estudar a aproximação entre ciência e religião, seus livros se tornaram sucessos editorias e suas colunas dominicais no “Caderno Mais” da Folha de São Paulo aumentaram o número de e-mails em sua caixa postal eletrônica.
A Igreja nutre grande estima pelas pesquisas científicas e técnicas, porque “constituem uma expressão significativa da soberania do homem sobre a criatura” (Cat, 2293). De Copérnico a Mendel, de Alberto Magno a Pascal, de Galileu a Marconi, a história da Igreja e a história das ciências nos mostram claramente como existe uma cultura científica radicada no cristianismo. Por ocasião do jubileu dos cientistas, o Papa João Paulo II (maio/2000) exortou: “Grande é a responsabilidade à qual fostes chamados. A vós é pedido que trabalhem a serviço do bem de cada pessoa e da humanidade inteira, atentos sempre à dignidade do ser humano e ao respeito à criação. Cada proposta científica necessita de um suporte ético e de uma sábia abertura a uma cultura respeitosa à dignidade da pessoa humana... Este jubileu dos cientistas constitui um encorajamento e um sustento para aqueles que buscam sinceramente a verdade. Homens das ciências, sejais construtores de esperança para toda a humanidade! Deus vos acompanhe e torne frutuoso o vosso esforço a serviço do autêntico progresso do homem. Intercedam por vós Santo Tomás de Aquino e os outros santos e santas que, em vários campos do saber, ofertaram uma enorme contribuição ao conhecimento da realidade criada à luz do mistério divino”.
Bibliografia:
1. Catecismo da Igreja Católica. 10 ed. São Paulo: Loyola, 2000.
2. João Paulo II. Encíclica Redemptor Hominis. Sãp Paulo: Paulinas, 19????
3. documento do Concílio Vaticano II Gaudium et Spes. São Paulo: Paulinas, 19????
4. Pascal. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 19????
5. Revista Universidade Pública. Ano II, nº 08, Fortaleza: UFC, Out/Nov 2001.
Regina Fátima Gonçalves Feitosa Membro do Projeto Mundo Novo da Comunidade Católica Shalom
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