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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Uma bandeira de esperança por nossas crianças

Francisco Vanderlúcio Souza
Comunidade Shalom
    Mês de outubro é período excelente para comemorar e, também, refletir sobre as crianças. Um olhar sobre a História nos desvela que em algumas civilizações primitivas eram realizados sacrifícios de crianças aos deuses. No mundo grego, na cidade de Esparta, era costume separar as crianças de seus pais para se dedicarem ao exército, idéia apoiada por Platão em sua obra sobre o Estado ideal, "A República". Já entre os judeus, crianças não eram sequer contadas como pessoas, e perdurou por muito tempo em diversas sociedades o conceito de criança como um pequeno adulto. O tempo passou, o homem socializou-se, evoluiu em vários aspectos, contudo, percebe-se, em pleno século XXI, hábitos e atitudes animalescas de alguns no trato para com as crianças.
    Onde estaria a raiz de tanta violência que vemos aterrorizar nossos pequeninos? Por que vemos nesses últimos anos uma sucessão de barbáries contra essa faixa etária? Que ameaça traz um infante? Para todas essas perguntas não se encontram respostas objetivas, desenrolam-se especulações e teorias, restando apenas o factível: nossas crianças estão em risco. Logo, o futuro e presente da humanidade estão ameaçados.
    Em 2007, o mundo inteiro acompanhou o episódio do desaparecimento da pequena Madeline McCann. No Brasil, um caso chocou a opinião pública, o assassinato de Isabela Nardoni, tendo por principais acusados o pai e a madrasta. Ambos os casos ainda não tiveram o desfecho final.
Uma infinidade de casos envolvendo violência contra crianças é estampada nos noticiários constantemente, como a compra e venda de bebês. Em Recife, um representante comercial foi detido em março de 2007. Ele pagou despesas hospitalares com o parto, exigência da mãe, que ainda pediu em escambo pelo filho um advogado para soltar o irmão dela que se encontrava preso. Ao dar à luz, Juliana, a mãe, que admitiu a esdrúxula negociata, arrependeu-se e denunciou o caso à polícia. No Chile, uma mãe com o esposo pôs anúncio na internet: "vendo bebê recém-nascido, entrar em contato com Carolina e Juan". A insólita venda foi desbaratada graças a um canal de televisão, que simulou interesse em adquirir o bebê, flagrando o comércio intolerável. Um casal de Taubaté, SP, comprou criança com menos de um mês de vida de mulher em Minas Gerais. A mãe afirmou que recebeu cesta básica e em breve ganharia mais benefícios em dinheiro por meio de uma advogada que estava intermediando a venda do bebê.
    Além da inaceitável compra e venda de bebês, existe o aluguel de crianças. Rachel de Queiroz, no "O Quinze", já denunciava as mães que emprestavam a outras seus embrulhos viventes - crianças subnutridas devido à seca - a fim de que recebessem esmolas mais generosas. Esta prática atravessou décadas e, em Fortaleza, ainda acontece, sobretudo nas ruas do Centro da capital, o que é um verdadeiro absurdo: mulheres que alugam crianças de mães para pedir esmolas.
    Ainda poderíamos citar os fetos e recém-nascidos jogados pelas mães em latas de lixos, rios e sanitários; e também o trabalho escravo espalhado em todo país de meninos e meninas que se vêem privados de serem o que são: crianças.
A última ocorrência bárbara aconteceu em São Paulo. Os irmãos João Vitor dos Santos Rodrigues, 13, e Igor Giovani dos Santos Rodrigues, 12, foram mortos, queimados e esquartejados pelo pai e pela madrasta, um ato ignominioso.
    A peste do abuso e exploração sexual, sobretudo no ambiente doméstico, retira das faces inocentes a ternura e o brilho dos olhos, substituindo-os por medo, amargura e revolta. As conseqüências, nesses casos, geralmente são desastrosas.
Essa onda de violência é sintomática e revela o quanto o homem está curvado sobre si mesmo e insensível àquele que é fraco e carece de proteção. Quando esse se afasta da verdade e do absoluto, entrega-se irremediavelmente à ditadura do relativismo, animal feroz que cerceia princípios e valores fundamentais tendo-os como bases já superadas e não mais necessárias.
Nesse cenário negrume, a sociedade é convocada a levantar uma bandeira de esperança. Empunhá-la significa zelar, defender e proteger nossas crianças tão expostas aos contra valores que corroem princípios basilares. Na Holanda, por exemplo, um partido constituído por três pedófilos quer reduzir para 12 anos a idade limite para que a relação sexual, neste caso, não constitua o crime de pedofilia. Isso é um verdadeiro absurdo!
    É dever nosso cuidar de nossos meninos e meninas, embora isso exija de nós têmpera, determinação e não coadunar com o mal, jamais.

Francisco Vanderlúcio Souza é bacharel em Filosofia



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Comunidade Católica Shalom

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