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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Por favor, não me matem! Ainda posso amar...

Uma breve reflexão sobre a Eutanásia se faz necessário visto uma realidade concreta em nossas famílias. Talvez alguns de nós não saibamos decifrar todos os pormenores da Eutanásia nas suas questões morais, judiciais e religiosas. Sabemos apenas que significa "boa morte", mas também admitimos que existem muitas ambigüidades na sua prática. No concreto não se trata de uma boa morte, mas de um alívio de problemas. No entanto, compreendemos bem o sofrimento de uma vida a definhar, aquela doença grave talvez em quem mais amamos, o medo da morte de um lado e a angústia da possível perda do outro. E, algumas vezes, aparentemente, quase nada podemos fazer!

Digo "aparentemente" quase nada podemos fazer porque, na verdade, sempre temos algo a fazer pelo outros, quer seja pela própria "lei interior" que nos inclina e nos convida para fazer o bem, quer seja pela nossa abertura à graça de Deus. Esta lei já é ação da graça de Deus em nós. Muito mais, infinitamente, teremos algo a fazer quando temos a experiência do amor de Deus, que nos preenche do sentido da vida e da descoberta do valor incalculável que é a vida do outro, independente de sua condição ou situação. A certeza de sermos amados e podermos amar nos faz dá um salto de esperança diante da nossa dor e do sofrimento do outro.

Os mistérios da dor e do sofrimento atravessam o nosso caminho sem tantas vezes pedir permissão. No desespero do homem moderno, na sua pressa cotidiana vivendo para vencer o relógio, na sua exaustão de trabalhos e negócios, na sua agitação interior, no cansaço mental de tantas informações e barulhos, a capacidade de perceber e viver a vida nas coisas pequenas e detalhes, fica suprimido. Muita gente já não consegue mais sorrir, brincar, dá uma boa "gargalhada", elogiar, cantar, perceber a natureza, as crianças, a vida de um amigo, a dor do outro ou a sua tristeza. Estamos nervosos, impacientes e intranqüilos.

Sempre achamos que aquela enfermidade nunca vai acontecer conosco ou com quem amamos. Na verdade não queremos nem pensar. Quando acontece conosco logo reagimos com desesperança e procuramos uma solução fácil. Vejamos os relacionamentos da amizade, o namoro e o casamento, os menores incômodos são motivos suficientes para o "descarte", ou seja, é o sinal e a hora de partir pra outra, e assim dizemos: "vou viver é minha vida, você é que se dane!". Quando se trata do valor da vida não é diferente. Quantas crianças abandonadas e nas mãos de pessoas que as maltratam! Quantas mulheres vítimas da violência e da difamação moral! Quantos idosos, que após uma vida inteira de dedicação ao trabalho, ao cuidado dos filhos, da transmissão de valores que duram para sempre, são hoje esquecidos dentro de um quarto, vítimas da arrogância dos filhos e netos, jogados nos hospitais, orfanatos, asilos, são considerados lixos.

Quando os nossos idosos caem na enfermidade logo se pensa: "Está incomodando nossa paz, a tranqüilidade da nossa família, pois temos que curtir os nossos melhores anos, nossos bens e filhos. Bom seria que morresse logo! E para isso nada custa autorizar que se desliguem os aparelhos de quem agora incomoda a "paz" da família. Nada custa pedir uma "boa morte" em nome da "dignidade" que, na verdade, significa um desistir de amar tal pessoa! Temos ojeriza a quem sofre perto de nós ou se encontra "sem fazer nada", pois estamos destreinados no amor que cuida, que quer o bem do outro e se dispõe a amá-lo não obstante sua dor e sofrimento. É exatamente o amor que enche de sentido a dor, a enfermidade e os sofrimento.

Esta dura realidade não está longe de nós, mas bem perto, dentro dos lares e de muitas consciências, frutos de uma "cultura de morte", da banalização da vida e dos valores duradouros. Não podemos viver desta forma e nem admitir que as famílias e os jovens vivam assim, tão enfraquecidos na capacidade de amar o indiferente e tirar uma lição de solidariedade com quem sofre. Também a "marginalidade do amor" e a indiferença podem nos fazer escravos de uma mentalidade velha, preconceituosa, destreinada ao sacrifício pelos outros, à renúncia e ao amor de abnegação. "Não amemos com palavras nem com a língua, mas com obras e em verdade" (I Jo 3,18). Só o amor, o autêntico amor que se deu ao extremo da cruz (cf. Jo 13,1) pode nos fazer compreender a sempre beleza e valor da vida, quer seja na inocência da infância, na alegria da juventude, quer seja no seu declínio. Só o amor de Deus tem a força de nunca matar e sempre fazer viver. Assim seja!





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por Antonio Marcos , Missionário na Comunidade de Vida Shalom ,
Comunidade Católica Shalom

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